Cultura

O último samba de Dorival Caymmi

O último samba de Dorival Caymmi

O compositor, cantor e pintor brasileiro Dorival Caymmi morreu no seu domicílio no Rio de Janeiro. Nome histórico da música popular brasileiro, criou algumas dos maiores êxitos de sempre. Contava 94 anos.

Dorival Caymmi estava doente há um ano, padecendo de insuficiência renal e de uma situação cardíaca pouco favorável. A doença acabou por vencê-lo ontem de madrugada. O artista faleceu em sua casa, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Caymmi é referência obrigatória da música popular brasileira, onde assinou êxitos imortais, que têm acompanhado gerações, como são os casos de "Marina", "Modinha para Gabriela", "Maracangalha", "Saudade de Itapuã", "O Dengo que a Nega Tem" ou "Rosa Morena", entre muitos outros.

A sua música foi gravada pelos mais reputados músicos brasileiros e teve em Vinicius de Moraes um dos seus maiores admiradores. Aliás, nos seus concertos, que se prolongavam à medida que bebia a garrafa do seu inseperável whisky, Vinicius não se cansava de falar no nome de Caymmi ( e também de João Gilberto), como um dos compositores de maior talento do seu país.

Também António Carlos Jobim elogiou as qualidades de Caymmi:"O Dorival é um génio. Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi. Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor".

Dorival Caimmi era descendente de italianos e desde cedo despertou para a música, uma vez que convivia com parentes que gostavam de tocar piano e o próprio pai era músico amador.

Em criança cantou no coro de uma igreja e , aos 13 anos, deixou de estudar para trabalhar num jornal, depois foi vendedor de bebidas.

Com 16 anos escreveu a primeira canção, "No Sertão" e, quatro anos depois, estreou-se como cantor e violinista. Venceu o concurso de músicas de carnaval, aos 22 anos, como compositor, com o samba "A Bahia também dá".

Mais tarde tentou arranjar emprego como jornalista e tirar um curso preparatório de Direito. Mas, influenciado por amigos, resolveu dedicar-se inteiramente à música.

A Rádio Tupi contratou-o para cantar duas vezes por semana e foi nessa estação que estreou "O que é que a baiana tem", uma canção que veio a ser imortalizada por Carmen Miranda. A cantora nascida no Marco de Canaveses tornou famosas outras duas canções de Caymmi, "A preta do Acarajé" e "Você já foi à Bahia?".

A obra de Dorival Caymmi aborda sobretudo a tragédia dos negros pescadores da Bahia, em temas como "O Mar", "História de pescadores", "É doce morrer no mar", "A jangada voltou só", "Canoeiro" ou " Pescaria". Aliás, a Bahia deve-lhe a imagem que hoje ostenta.

Em mais de sete décadas dedicadas à música, Dorival Caymmi gravou apenas cerca de 20 discos, o que é francamente pouco para uma produção tão rica. No entanto, é incalculável o número de canções que tem espalhados por discos dos mais variados intérpretes brasileiros e mesmo estrangeiros.

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