Cultura

Os Quelle Dead Gazelle estão em "Maus lençóis"

Os Quelle Dead Gazelle estão em "Maus lençóis"

Primeiro disco dos lisboetas Quelle Dead Gazelle, "Maus lençóis" confirma os bons augúrios deixados pelo EP de há três anos. O JN falou com Pedro Ferreira, guitarrista da banda, que atua neste sábado na Casa da Música

Há quatro anos, quando foram uns dos vencedores do Concurso de Bandas do JN, ao lado de grupos como os bracarenses Grandfather's House, os Quelle Dead Gazelle não imaginariam que o projeto criado uns meses antes fosse sequer durar.

"Queríamos vingar, claro, mas não fazíamos planos", explica Miguel Abelaira, baterista da banda, que tem em Pedro Ferreira, na guitarra, a outra metade criativa.

As dúvidas ganharam foros de certeza no ano seguinte, em que venceram o concurso Termómetro e regressaram a Paredes de Coura, protagonizando "um concerto muito especial".

Foi também em 2013 que fizeram a estreia nos discos, através de um EP que somou elogios. A tal ponto que "durante mais de um ano andámos a apresentar esses temas em vários concertos".

O 'artisticamente correto' mandaria dizer que, nesses três anos de intervalo, os Quelle Dead Gazelle prepararam com afinco o novo trabalho discográfico, buscando a perfeição nos mais ínfimos detalhes. Mas Miguel Abelaira, tão direto e percussivo como a bateria que domina, confessa que o tempo decorrido entre um e outro disco tem uma explicação menos romântica. "Somos muito desorganizados. A verdade é que, quando são apenas dois elementos num grupo, tomar decisões não é a coisa mais fácil do mundo... O ideal é um trio. Quando não há consenso, o terceiro desempata".

Não se pense, no entanto, que os Quelle Dead Gazelle estão em vias de mudar de formato ou conceito. Os duelos criativos entre bateria e guitarra são de tal forma intensos que, como advertem os músicos na apresentação de um dos seus clips, "se parece pouco, não o é".

O processo criativo nunca varia muito. Descomplexificando a composição, Miguel Abelaira explica que "o Pedro aparece com uma ideia de guitarra e eu tento pôr qualquer coisa por cima". A repetição constante faz o resto, explica.

O estilo livre que norteia a ação dos Quelle Dead Gazelle leva-os a não enveredar por conceções demasiado teóricas sobre os temas, cientes de que o mais importante" é tocarmos até sentirmos para onde é que aquilo vai". Mas, apesar de se sentirem artisticamente mais à-vontade com guitarras e baterias do que com palavras, não tiveram dúvidas na hora de intitular o novo disco.

"Como é um disco atravessado por uma grande tensão, procurámos uma palavra que traduzisse esse desconforto. Ainda pensámos em 'má onda', mas seria demasiado óbvio", explica o baterista.
Sinal do bom acolhimento de "Maus lençóis", lançado em maio, a agenda do duo dinâmico tem estado muito preenchida, com uma dezena e meia de concertos já realizados, incluindo os festivais Milhões de Festa, Rodellus, em Braga, e novamente Paredes de Coura.

"É estranho estarmos do lado de cá do palco, mas o segredo é nunca deixarmos de nos pôr na pele de um espetador", diz Miguel Abelaira, que admite o gosto muito particular de tocar em festivais, pela "oportunidade de chegar a novos públicos".

Uma semana depois de terem marcado presença no NOS em D'Bandada, o público portuense tem novamente oportunidade de os ver e ouvir. Acontece neste sábado, dia 24, às 22 horas, no Café Concerto da Casa da Música (entrada livre). É ir.

Recomendadas

Outros conteúdos GM

Conteúdo Patrocinado