Cultura

Refugiados e terrorismo marcam do Dia Mundial do Teatro

Refugiados e terrorismo marcam do Dia Mundial do Teatro

Os refugiados, o terrorismo e o teatro como expressão da realidade são vetores da mensagem do Dia Mundial do Teatro, que se assinala este domingo, escrita este ano pelo encenador russo Anatoli Vassiliev, a convite do Instituto Internacional do Teatro.

O teatro "manter-se-á eterno", escreve o encenador, porque pode dizer "como a mentira reina e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em campos de refugiados, e como todos eles terão de voltar ao deserto, e como, dia após dia, somos forçados a nos separar dos nossos entes queridos".

"O que seguramente não precisamos é do teatro do terror diário -- quer seja individual ou coletivo, o que nós não precisamos é do teatro dos corpos e do sangue nas ruas e nas praças, nas capitais e nas províncias, o teatro falso das batalhas entre religiões e grupos étnicos", escreve o fundador da Escola de Teatro de Moscovo.

O teatro "pode dizer-nos tudo", "como os deuses habitam nos céus e como os prisioneiros definham em caves subterrâneas esquecidas, e como as paixões nos podem elevar, e como o amor nos pode abater".

"Existe apenas um teatro que seguramente não é necessário para ninguém", escreve Anatoli Vassiliev, de 73 anos, referindo-se ao "teatro das 'armadilhas' políticas", ao "fútil teatro da política".

"Para o inferno com os aparelhos e computadores! Vão simplesmente ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e nas galerias, ouçam o mundo e vejam as imagens vivas!", clama Anatoli Vassiliev, considerado pelo Instituto Internacional do Teatro como um dos mais importantes encenadores contemporâneos.

Além do trabalho em Moscovo, Vassiliev também foi professor de drama em Lyon, diretor do Théâtre de l'Europe, em França, e estreou no passado dia 16, em Paris, a dramatização de "La Musica, La Musica Deuxieme", de Marguerite Duras, na Comedie Francaise.

A versão portuguesa da mensagem do Dia Internacional do Teatro foi divulgada pela Federação Portuguesa de Teatro, em parceria com a organização internacional.

Hoje, em Portugal, Gil Vicente é recordado em Évora, no Teatro Garcia de Resende, com o espetáculo "Estes autos que ora vereis", sobre textos do dramaturgo quinhentista.

O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, apresenta três peças do seu repertório, com entrada livre: "A Visita Escocesa", de Inês Barahona e Miguel Fragata, "Judite", de Rui Catalão, e "Três dedos abaixo do joelho", de Tiago Rodrigues.

O Nacional de São João, no Porto, estreia o "Beijo", no Mosteiro de São Bento da Vitória, a partir de autores como Ruy Belo, Álvaro de Campos, Manuel António Pina, David Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade e Maria Teresa Horta, e representa as duas peças de Simon Stephens que tem em cartaz, "Águas Profundas" e "Terminal de Aeroporto", na sala principal.

A Companhia de Teatro de Almada lança o livro do encenador alemão Peter Stein "A palavra e a cena", e abre ao público o ensaio de "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett, no palco do teatro Joaquim Benite.

O Teatro da Cornucópia estreia "Os justos", de Albert Camus, na quarta-feira, dia 30, e os Artistas Unidos fazem a primeira apresentação de "Holocausto", de Charles Reznikoff, no dia seguinte.

O Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961, pelo Instituto Internacional do Teatro, para divulgação desta arte, como expressão de paz, segundo a organização internacional.

A divulgação da mensagem, escrita por "uma figura de estatuto mundial", convidada por aquele instituto, marca a data.

A primeira Mensagem do Dia Mundial do Teatro foi escrita pelo dramaturgo francês Jean Cocteau, em 1962.

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