Desporto

Treino e tecnologia para surfar ondas gigantes da Nazaré

Treino e tecnologia para surfar ondas gigantes da Nazaré

McNamara não se cansa de repetir. O mar no canhão da Nazaré não é apenas muito perigoso: é também único no mundo. Só com muito planeamento, preparação e treino é que um surfista, ainda que se julgue muito experiente, se deve aventurar nestas águas.

Não é por isso de estranhar a informação que ontem foi revelada ao JN por Pedro Pisco, da empresa municipal nazarena que trabalha junto de McNamara. Em 2010, quando o surfista que detém o recorde mundial pôs os pés junto ao farol da Nazaré para observar as ondas, fez questão de, antes de entrar na água, fazer uma visita ao Instituto Hidrográfico para perceber melhor a morfologia desta zona costeira.

Desde essa altura, a equipa McNamara tem vindo a desenvolver equipamento específico para surfar estas ondas. A prancha que está presa à mota de água, onde os surfistas se apoiam para serem transportados, foi evoluindo para responder mais rapidamente às súbitas mudanças de velocidade e direção a que obrigam as fortes correntes fortes das ondas nazarenas. Às motas de água foram sendo acrescentadas cintas de segurança especiais e até o fato que McNamara usa, já com flutuadores incorporados, é um protótipo desenvolvido em parceria com a marca Body Glove.

Aliás, McNamara salienta sempre que se deve procurar permanentemente o que a tecnologia vai possibilitando, sempre em nome da segurança. Os surfistas de ondas gigantes usam sempre, para além dos fatos térmicos convencionais, outro tipo de apoios à sobrevivência, como coletes especiais artilhados com recargas de ar comprimido, que se podem encher e esvaziar instantâneamente consoante o surfista precisar de subir rapidamente para respirar ou mergulhar para escapar a uma onda.

Mas se a tecnologia é certamente uma ajuda preciosa na hora de descer ondas gigantes, a preparação mental e física é também essencial neste tipo de desporto extremo. Hugo Vau, o português da equipa McNamara, explicou ao JN que o treino de apneia já o ajudou algumas vezes. "É preciso muita calma. A pior coisa que se pode fazer é tentar respirar e permitir que a água entre nos pulmões", para facilitar a posterior reanimação. "É muito difícil de fazer isto, mas é melhor ficarmos inconscientes e esperar que alguém nos venha buscar", explicou.

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