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Guarda-redes marcou golo e virou herói do Lavrense

Guarda-redes marcou golo e virou herói do Lavrense

Marcar um golo é motivo de felicidade para qualquer jogador, mesmo para Cristiano Ronaldo ou Messi. Mas, quando se trata de um guarda-redes, a alegria e a satisfação ganham contornos bem mais carregados, tal a dificuldade e a raridade com que acontece.

Aos 21 anos, Bruno Monteiro já se pode gabar de ter sentido esse prazer. No sábado, o guardião do Lavrense inspirou-se na época carnavalesca e vestiu a pele de herói, ao abrir caminho à vitória frente ao Alfenense, por 4-1, na 19.ª jornada da Divisão de Honra.

Com dez minutos de jogo, Bruno Monteiro surpreendeu tudo e todos, inclusive ele próprio. "Na marcação de um livre, tentei colocar a bola no ponta de lança, mas ela saiu longa e, com a ajuda do vento forte, marquei golo. Nunca me passou pela cabeça que tal aconteceria", reconhece, sorridente, Bruno Monteiro, que ficou incrédulo e sem saber como festejar. "Não estou habituado a marcar golos e fiquei sem reação. Na época passada, contra o Pedrouços, também estive num lance de golo, mas ficou a dúvida se fui eu que o marquei. Desta vez, não houve dúvidas", explica o novo herói de Lavra.

"Só mais tarde me apercebi da dimensão do feito. O vídeo começou a ser partilhado nas redes sociais e não parei de receber felicitações. Tem sido bonito", reconhece Bruno Monteiro, que dedicou o golo à família. "Dediquei-o à minha mãe e ao meu irmão. Infelizmente, o meu pai já faleceu, mas sei que ficaria orgulhoso", explica o guarda-redes, que não perde a esperança de ser profissional de futebol. "É um sonho que espero concretizar". Por enquanto, trabalha num centro de lavagem de automóveis. "É complicado conciliar o futebol com o trabalho. Levanto-me para ir trabalhar às 6.45 horas e só chego a casa do treino depois das 22 horas. Há dias em que só me apetece ir para a cama descansar, mas a paixão pela bola supera o cansaço", justifica Bruno Monteiro. v

3 Natural de Matosinhos, Bruno Monteiro iniciou a formação no Leixões e foi no Estádio do Mar que encontrou a referência no futebol: Beto. O internacional português, do Sevilha, é fonte de inspiração para o guarda-redes do Lavrense, que não desperdiçava nenhuma oportunidade para estar junto do ídolo. "Cheguei a ser apanha-bolas do Leixões para falar com ele. Deu-me alguns conselhos, força e motivação para trabalhar nos limites e nunca desistir. É o que faço", garante Bruno Monteiro, que, tal como Beto, tenta "compensar a baixa estatura com maior rapidez e agilidade". Enquanto persegue o sonho de ser profissional, ajuda os jovens do Lavrense. "Treino os guarda-redes de todos os escalões do clube. É um orgulho poder ajudá-los. Na minha altura não havia metade dos recursos", lamenta Bruno Monteiro.

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