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Banco Popular oferecia "zero euros" pelo Banif e reduzia 900 trabalhadores

Banco Popular oferecia "zero euros" pelo Banif e reduzia 900 trabalhadores

O ministro das Finanças, Mário Centeno, revelou, esta sexta-feira, no Parlamento, as ofertas feitas pelo Banco Popular e pelo Santander Totta para a compra da posição do Estado no Banif ainda durante a venda voluntária, com o primeiro a dar zero euros.

"A valorização dessas propostas é complexa", afirmou o governante, vincando a diferença entre a venda voluntária da participação estatal no Banif antes da resolução e o processo de venda no âmbito da intervenção das autoridades no banco.

"A proposta do Banco Santander, tal como apresentada pelo Banif, era a de excluir 3022 milhões de euros de ativos e oferecer um preço de 150 milhões de euros. Não propunha a devolução de "CoCos" [a última fatia de instrumentos híbridos de capital subscritos pelo Estado no valor de 125 milhões de euros] e apontava para uma redução de 800 trabalhadores", avançou Centeno.

"Os ativos que o Popular se propunha não comprar ascendiam a 7725 milhões de euros. O Popular propunha-se comprar apenas uma parte muito reduzida do Banif e pagava zero e reduzia 900 trabalhadores", disse o ministro, perante a insistência dos deputados que o ouviam na Comissão de Orçamento e Finanças.

Mário Centeno vincou que "todos estes números são válidos fora do cenário de resolução".

E acrescentou que os valores apresentados são apenas uma parte das propostas que os dois bancos que integram grupos espanhóis avançaram para adquirir a participação de 60% que o Estado detinha no Banif até à sua resolução.

"As propostas vão ser seguramente do conhecimento da comissão parlamentar", assinalou o titular da pasta das Finanças.

Por outro lado, Centeno referiu que os bancos portugueses (CGD, BCP e BPI) que receberam apoio estatal em 2012 estavam impedidos de participar na corrida à compra do Banif, já que uma das condições impostas na altura - quando vigorava o programa da "troika" - era a de que não se podiam atirar para a compra de bancos nos dois anos seguintes à devolução dos auxílios.

Já passava das 23 horas quando terminaram os trabalhos da Comissão de Orçamento e Finanças, que tinha tido início pelas 17 horas, e por onde passaram o governador do Banco de Portugal e o ministro da tutela.

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