Economia

Centena e meia de suinicultores bloqueiam acesso a base do Intermarché

Centena e meia de suinicultores bloqueiam acesso a base do Intermarché

Uma fogueira e febras assadas reconfortam a noite a centena e meia de suinicultores que estão determinados a bloquear, até de manhã, o acesso e a saída de camiões da base logística do Intermarché, em Alcanena.

Concentrados desde o princípio da noite, os produtores queixam-se do não cumprimento por esta empresa das regras de rotulagem e do "uso e abuso" das promoções de carne de porco que esmagam os preços num setor que corre o risco de "colapsar".

João Correia, porta-voz do movimento de suinicultores que, no início de dezembro, começou por promover ações de sensibilização junto dos consumidores e que realizou uma ação similar à de hoje junto ao centro de processamento de carnes da Sonae, em Santarém, disse à Lusa que estas iniciativas tiveram já alguns resultados.

"Algumas grandes superfícies começaram a fazer a identificação da origem da carne de forma visível", disse, lamentando que esta prática não esteja a ser seguida pela cadeia do Intermarché.

"Estamos aqui num direito pacífico e cívico para mostrar a nossa indignação e fazer um alerta sério do que pode ser um problema social", com a destruição de postos de trabalho num setor responsável por 200.000 empregos diretos, muitos com direito a habitação, disse.

João Correia afirmou que na reunião realizada há uma semana, na sequência do contacto mantido com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, foram "apalavradas" medidas tripartidas (entre produção, distribuição e indústria), mas a subida de cinco cêntimos por quilo conseguida na "bolsa do porco" da última quinta-feira não está a ser repercutida junto de "alguma" grande distribuição.

Segundo João Correia, o grupo Sonae negociou diretamente com a produção a compra de 10.000 animais para esta semana e a próxima, com a possibilidade, "se correr bem", de se prolongar, mas o grupo Jerónimo Martins "continua a chutar para canto e tem feito uma pressão fortíssima sobre a indústria", afirmou.

Quanto ao Intermarché, os suinicultores estão na disposição de ficar até que alguém da administração os oiça.

O acesso às instalações do grupo Mosqueteiros foi bloqueado por um veículo pesado de transporte de suínos, parado no meio da via, encontrando-se estacionadas na berma da estrada dezenas de viaturas, com uma dezena de camiões da empresa a ficarem retidos no exterior.

Vítor Silva, suinicultor de Leiria, disse à Lusa que a situação que vive "é péssima, quase a entrar em rutura", por faltar dinheiro para alimentar os animais e estar a escassear para pagar os ordenados às cerca de 60 pessoas que emprega.

"Estamos sem defesas, ninguém nos protege", afirmou.

Além do incumprimento da lei da rotulagem nalguns estabelecimentos comerciais, João Correia salientou que o suinicultor português perde, em média, 45 euros por cada porco que vende, ou seja, estão a vender "abaixo do custo de produção", colocando em causa "200 mil postos de trabalho diretos e mais 200 mil indiretos".

Estão registados em Portugal cerca de quatro mil suinicultores industriais, havendo no total quase 14 mil explorações. Portugal produz cerca de 55% da carne de porco que consome.

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