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Fábrica no Fundão fecha durante as férias e deixa 64 sem emprego

Fábrica no Fundão fecha durante as férias e deixa 64 sem emprego

As 64 trabalhadoras das confeções Fundatex, na zona industrial do Fundão, encontraram esta segunda-feira a fábrica fechada, sem qualquer explicação da administração do grupo Torre, que não pagou o vencimento de março.

O grupo Torre, com sede em Belmonte, produz fardamentos desde 1995, sob a designação Torfal, para empresas do Estado e outras: TAP, CP, Carris e Galp Energia estão na lista de clientes disponível na Internet, para além do mercado de exportação.

Na linha de fabrico da Fundatex estavam, esta segunda-feira, penduradas centenas de calças de fardas da Força Aérea Portuguesa que ficaram por terminar, explicaram as trabalhadoras.

Segundo relatam, estiveram a laborar até dia 28 de março, altura em que entraram de férias a pedido da administração. O regresso ao trabalho estava marcado para esta segunda-feira.

No entanto, a meio do período de férias, uma outra empresa do grupo Torre e outros credores pediram a insolvência da Fundatex, que foi decretada no Tribunal do Fundão na quarta-feira da última semana.

O aviso foi afixado no portão da fábrica, mas às trabalhadoras nada foi dito.

Hoje, já contactaram a administração, mas da sede só obtiveram a resposta de que o grupo Torre "já nada tem a ver com a Fundatex", referiu a delegada sindical Paula Reis.

"Vamos exigir os nossos direitos, falar com o administrador judicial da empresa, saber o que vai fazer" e pedir o acesso, o mais rápido possível, "ao fundo de desemprego", acrescentou.

A atitude do grupo Torre é alvo de todas as críticas. "O que mais me revolta e indigna é saber que trabalhei aqui 20 anos: todas as trabalhadoras da Fundatex davam o melhor e despejaram-nos como lixo", referiu Paula Reis.

Esta manhã, à porta da fábrica, algumas trabalhadoras choravam por não saberem como vão suportar o agregado familiar.

"Eu tenho o meu marido no desemprego, os filhos na escola, não tenho dívidas, mas tenho faturas para pagar e contava com o ordenado para sobreviver", referiu Maria da Conceição Fernandes, que tal como as colegas vai permanecer à porta da empresa.

"Eu não tenho nada que me diga que estou despedida. Estou a cumprir o horário de trabalho e a ideia é permanecer aqui até que alguém nos diga que estamos despedidas", acrescentou. Ao lado, Paula Diamantino sintetizou: "estamos todas no mesmo barco".

As trabalhadoras acusam a administração de retirar máquinas e de desviar a produção para outras fábricas, sem dar explicações.

Maria da Conceição Fernandes conta que ensinou uma operária de outra empresa a fazer os coletes que produzia na Fundatex, a pedido da chefia, "sem saber quem ela era: pensava que era uma engenheira da Torre".

Só final suspeitou que "estavam a tirar o trabalho dali", quando a trabalhadora visitante pediu à chefe para levar a peça para outra fábrica.

Apesar das tentativas efetuadas pela agência Lusa desde sexta-feira, ninguém do grupo Torre se mostrou disponível para prestar esclarecimentos sobre a situação.

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