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Ida às urnas sem sobressaltos mas com muitas incertezas

Ida às urnas sem sobressaltos mas com muitas incertezas

Mesmo em frente a uma escola secundária, em Atenas, que este domingo está aberta para os gregos votarem, DW está pendurado num escadote a pintar. É grafiter e está a terminar a obra, à qual deu o título: "Não há terra para os pobres".

É uma pintura enorme de um sem-abrigo a dormir que sobressai nas paredes carregadas de sarrabiscos e panfletos do bairro boémio e anarquista de Exarchia. DW está há quatro dias a pintar um desenho que ganha especial sentido este domingo, dia em que os gregos vão decidir se aceitam ou rejeitam as condições dos credores para pagarem o que devem.

O referendo está a decorrer sem sobressaltos em Atenas. Falta pouco menos de uma hora para as urnas fecharem. Segundo os media gregos, já terão votado 40% dos eleitores, o mínimo para que o ato seja considerado legal. Os primeiros resultados devem ser conhecidos pouco depois das 19 horas, mas se forem muito próximos é provável que a incerteza se prolongue.

DW é indonésio, não vai votar, mas admite o significado político implícito no grafito. A pobreza tomou conta de boa parte das famílias gregas nos últimos cinco anos. O desemprego disparou para uns alarmantes 25%, afetando sobretudo os mais jovens, os salários e as pensões sofreram cortes de 40%. E são sobretudo esses, que dizem não ter nada a perder, que hoje votam contra as políticas de austeridade impostas pelas instituições europeias. Acreditam que se a Europa receber um forte "não" a Grécia conquistará mais poder nas negociações. Do lado contrário, quem está a favor do acordo crê que o referendo representa a escolha entre continuar ou sair do euro. E teme que se os gregos votarem "não" possam estar a conduzir o país para o suicídio.

"Estou à espera do pior, por isso se conseguirmos qualquer coisa um bocadinho melhor do que isso, já vai ser bom", afirmou Tassos, à saída da escola número cinco, na Rua Benaki. Eleftheria, a mulher que o acompanha, é engenheira, mas conta perder o emprego nos próximos dias porque a empresa onde trabalha enfrenta sérios problemas. A incerteza é o sentimento dominante num país que já se habituou à ideia de que o futuro será "dramático" independentemente do resultado do referendo desta noite.

Roula Antonopolous, 65 anos, sai da escola aos gritos com os jovens comunistas que distribuem papéis à porta a apelar ao duplo "não", um voto nulo que encerra uma crítica às políticas europeias e ao Governo do partido Syriza. "Isto é demasiado sério para vocês pedirem votos nulos", contesta a mulher, reformada com um filho desempregado. Roula continua a acreditar em Tsipras. Pôs uma cruz no "não", na expectativa de reforçar o poder do primeiro-ministro nas negociações com os credores.

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