Economia

Lesados do papel comercial acreditam numa solução em breve

Lesados do papel comercial acreditam numa solução em breve

A Associação de Lesados de Papel Comercial do GES saiu, esta quarta-feira, da reunião com o Banco de Portugal a acreditar que será encontrada uma solução que permita recuperar parte do dinheiro investido e que poderá haver novidades em três semanas.

"Parece-nos que o processo terá um fim positivo, onde haja um ressarcimento das pessoas", disse Ricardo Ângelo, presidente da Associação de Lesados de Papel Comercial do Grupo Espírito Santo (GES), considerando que poderá haver um esboço de acordo já entre duas a três semanas.

De acordo com o responsável, nos últimos dias houve uma "mudança notória de comportamento", sobretudo da parte de Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e até de entidades políticas que faz crer agora num fim positivo.

Segundo o dirigente desta associação, no encontro de hoje, que durou cerca de duas horas, os representantes do supervisor e regulador bancário o que fizeram foi informar "de todas as negociações que decorrem com a CMVM [Comissão de Mercado e de Valores Mobiliários] e com o Governo".

Não foi adiantada, no entanto, qualquer solução que permita aos cerca de 2.000 clientes recuperarem os cerca de 400 milhões de euros investidos em papel comercial de empresas do GES e que foram vendidos aos balcões do BES antes da resolução deste banco.

Apesar disso, Ricardo Ângelo considerou que, pela conversa tida, há "boa vontade de todas as partes para que haja uma solução".

Já esta sexta-feira, disse o dirigente da associação, haverá uma nova reunião entre Banco de Portugal, CMVM e Governo para tentar encontrar uma solução, sublinhando que os encontros estão a suceder-se com regularidade.

A questão dos lesados do papel comercial ganhou ainda mais ênfase depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter há uma semana censurado publicamente o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, por estar a "arrastar" uma solução.

"Tenho que lamentar a forma como a administração do Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão sobre esta matéria, a impedir que rapidamente esta solução proposta pelo Governo, e que foi aceite já pela maioria dos lesados do BES, pudesse estar já implementada", afirmou a 17 de fevereiro o chefe de Governo.

Em junho de 2015, o governador do Banco de Portugal disse no parlamento que a solução para os lesados do BES tinha de vir da CMVM e não da entidade que dirige uma vez que se tratam de valores mobiliários e não de depósitos e reafirmou que as responsabilidades pelos lesados do papel comercial do BES não podem ser atribuídas ao Novo Banco, mas sim ao próprio BES.

Desde que o Banco Espírito Santo (BES) foi alvo de uma medida de resolução, no verão de 2014, que clientes do retalho detentores de papel comercial do GES, que compraram os títulos aos balcões do BES, têm vindo a desenvolver várias ações com vista a recuperar o dinheiro investido.

De acordo com as informações recolhidas pela Lusa, são atualmente 2.040 os subscritores de papel comercial que reclamam cerca de 400 milhões de euros.

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