Economia

Menos 2,3 mil milhões gastos na compra de carros novos em dois anos

Menos 2,3 mil milhões gastos na compra de carros novos em dois anos

A compra de carros em Portugal caiu mais de 2,3 mil milhões de euros em dois anos, fruto de uma queda abrupta no consumo interno e devido à austeridade imposta pela assistência da troika ao país. As vendas de automóveis este ano deverão ser as piores dos últimos 27 anos.

Segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), em 2011 e 2012 o mercado automóvel "perdeu" vendas de 128 mil automóveis novos, provocando o encerramento de centenas de concessionários e vários despedimentos ainda não contabilizados.

No início deste ano, a ACAP alertava que, perante a crise instalada, 2012 seria o ano em que se previa o despedimento de 21 mil pessoas no setor e o encerramento de 2600 empresas, uma perda direta de receita fiscal de cerca de 190 milhões de euros, "para além de todos os custos a nível social", o que configura uma "situação dramática para as empresas do setor" e isto quando se previa uma queda 18,5% do mercado automóvel face a 2011.

Chegados a novembro deste ano, a quebra nas vendas está nos 40,1%, muito superior ao previsto em fevereiro, e com danos que os próprios intervenientes no setor ainda não conseguem contabilizar.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de importação de carros e seus componentes vão de encontro à situação do setor, com uma quebra de 1,2 mil milhões de euros de janeiro a setembro relativamente ao mesmo período do ano passado, menos 27,6%, um desempenho que tenderá a agravar-se até ao final do ano.

O INE refere que, no período em análise, as importações de automóveis passaram de 4331 milhões de euros em 2011 para 3139 milhões de euros até setembro deste ano. Por exemplo, a compra de carros à Alemanha e França, os dois principais mercados (Volkswagen, Audi, Opel, Mercedes, BMW, Renault, Peugeot, Citroën), caíram 28,3% entre janeiro e setembro para os 1.541 milhões de euros, menos 607 milhões do que em 2011.

A Alemanha foi a mais penalizada com as importações a diminuírem 422 milhões de euros e a França registou uma queda de 185 milhões de euros.

As importações do setor automóvel representam atualmente 7,5% do total de todas as compras no exterior, que se situaram de janeiro a setembro nos 41,6 mil milhões de euros.

Face a esta conjuntura, a ACAP pede que seja reintroduzido o plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida "o mais rapidamente possível", tendo, para isso, reunido regularmente com o Governo e com os deputados da Assembleia da República.

Os responsáveis da ACAP já reconheceram que as vendas de automóveis este ano deverão ser as piores dos últimos 27 anos, já se precisa recuar até 1985, altura em que se venderam 93013 carros, quando este ano se estima não chegar aos 100 mil automóveis.

E para o próximo ano, com um Orçamento de Estado para 2013 que retira poder de compra às famílias e empresas através do aumento de impostos e medidas de austeridade, a ACAP não prevê melhorias, antes pelo contrário.

Hélder Pedro, secretário-geral da associação, prevê que se vendam menos de 100 mil unidades no total entre automóveis ligeiros e de passageiros.

Uma situação que terá também implicação direta na receita fiscal do Estado, uma vez que, segundo dados da execução orçamental de novembro, a quebra do Imposto Sobre Veículos (ISV) se situa nos 43,6% relativamente ao ano anterior para os 309,5 milhões de euros quando o Estado previa encaixar até esta data quase o dobro, ou seja, 586 milhões de euros.

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