Economia

Polícia levado ao hospital e sete pessoas detidas em frente ao Parlamento

Polícia levado ao hospital e sete pessoas detidas em frente ao Parlamento

Um polícia foi levado ao hospital e sete pessoas foram detidas na sequência dos confrontos que ocorreram, ao final desta quinta-feira, em frente à escadaria da Assembleia da República. As autoridades reforçaram o dispositivo policial no local, perante a indignação, das centenas de pessoas que protestavam.

Sons de ambulâncias e um duplo cordão de polícias de choque foi o cenário montado junto à escadaria da Assembleia da República, ao final do dia, após os desacatos entre os manifestantes e polícia em dia de greve geral. No total, foram detidas sete pessoas por injúrias, resistência, coacção, agressões e desobediência.

Entre os detidos, dois são cidadãos de nacionalidade estrangeira, um do sexo masculino e outro do feminino.

O agente da autoridade ferido ficou com contusões nos braços, escoriações no crânio e as últimas informações indicam que está livre de perigo. "O agente foi violentamente agredido por um cidadão estrangeiro", disse um porta-voz da PSP.

De lágrimas nos olhos, Leonardo perguntava preocupado à polícia o que era feito do seu amigo. Com respostas adiadas, o jovem contou que o amigo foi levado para junto da porta do Parlamento.

"Ele é menor e vai ser levado a tribunal sem prova alguma. É esta a força policial que temos", disse.

Hélio, outro manifestante, recordou que nem nos tempos em que este espaço junto ao Parlamento se encheu de estudantes que se protestavam contra as propinas havia tanta força policial. "De onde veio a ordem para haver esta desproporção de meios?", perguntou.

As imagens da televisão mostraram a polícia a levar um jovem, no que parece ter sido a consequência mais gravosa de um momento de tensão vivido na manifestação em frente à AR.

Alguns manifestantes chegaram a investir com as grades de protecção contra os polícias, que responderam com empurrões para tentar travar os manifestantes, que tentavam subir a escadaria da AR.

A Polícia de Intervenção, que estava situada à entrada da AR, desceu a escadaria e ajudou a serenar os ânimos entre PSP e manifestantes.

Em cerca de 15 minutos, foram mobilizados mais meios da Polícia de Intervenção, o que coincidiu com a diminuição da intensidade dos protestos, que passou mais para as palavras de ordem e deixou de ter contacto físico.

Os incidentes começaram cerca de uma hora depois da chegada dos manifestantes à AR, ponto de encontro da manifestação promovida pela CGTP, em Lisboa, para assinalar aquela que foi "uma greve maior do que há um ano no sector público e privado", declarou Carvalho da Silva, da CGTP, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, após manifestação que partiu do Rossio.

"Nunca uma greve geral teve tanto impacto em tantos sectores da sociedade. Não houve um único voo da aviação civil, os barcos e o metro, em Lisboa, estiveram parados", disse Carvalho da Silva.

O secretário-geral da CGTP recordou que no Ensino Superior a adesão à greve foi superior à do ano passado, o que mostra que "até os sectores mais intelectuais da sociedade percebem a importância de combater a austeridade".

No discurso aos manifestantes, que juntou sindicalistas, grevistas e pessoas ligadas ao movimento dos indignados, Carvalho da Silva justificou a greve geral com três razões: "contra o aumento da exploração; contra o empobrecimento e, acima de tudo, por Portugal".

Na intervenção, o sindicalista destacou o esforço feito por todos os portugueses que aderiram à greve, afirmando que "os cinco ou dez euros que hoje perderam, no final do mês vão-lhes criar um défice muito significativo no seu orçamento".

"É preciso coragem, determinação, confiança no futuro, para ter uma atitude destas", salientou o secretário-geral da CGTP.

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