Contestação

UGT acusa sindicato da CGTP de "irresponsabilidade" na Autoeuropa

UGT acusa sindicato da CGTP de "irresponsabilidade" na Autoeuropa

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, acusou o sindicato da CGTP que marcou a greve na Autoeuropa de "enorme irresponsabilidade" e sublinhou que o diálogo e a negociação devem ser o caminho a seguir na empresa.

A acusação do líder da central sindical foi feita durante uma conferência de imprensa onde foram apresentadas as reivindicações da UGT para 2018.

"É uma enorme irresponsabilidade o sindicato da CGTP [SITE-Sul] ter avançado daquela forma para uma greve", disse Carlos Silva defendendo que antes da convocação da paralisação, que ocorreu em 30 de agosto, "devia ter havido um esforço de negociação" e de perceber se havia disponibilidade da administração.

De acordo com o secretário-geral da UGT, "quando houve disponibilidade, a greve já estava convocada e não havia nada a fazer".

Carlos Silva destacou que "há muita gente neste país que trabalha ao sábado", defendendo que o trabalho "tem é de ser remunerado" e que "os horários têm de ser negociados".

"O que faz falta aqui é negociar numa plataforma de boa fé", acrescentou o sindicalista, lembrando os exemplos de "lutas idênticas que tiveram maus resultados, como o caso da Opel da Azambuja e dos estaleiros navais de Viana do Castelo".

Para o líder da UGT, "os trabalhadores não podem ir para uma greve sem garantias de consequências positivas".

Carlos Silva alertou ainda para "o risco que se corre de haver decisões avulsas, que poderão ter muitos objetivos, mas não são defender os trabalhadores, mas defender outras coisas".

Já o dirigente do Sindel, sindicato da UGT que representa trabalhadores na Autoeuropa, Rui Miranda, falou antes de Carlos Silva e defendeu que cabe à Comissão de Trabalhadores e não aos sindicatos liderar o processo negocial na empresa de Palmela.

"Para o Sindel é tão importante, no presente como no passado, o grau de ligação que sempre fizemos com a Comissão de Trabalhadores para encontrar em conjunto e se possível com outros sindicatos os caminhos que possam ajudar a resolver os problemas que neste momento estão a acontecer nesta empresa", disse Rui Miranda.

O secretário-geral do Sindel considerou que a proposta que foi rejeitada pelos trabalhadores "tem matérias penalizadoras" mas "deve ser melhorada" durante as negociações com a administração da Autoeuropa.

Rui Miranda, que revelou que o Sindel vai reunir-se com a administração na próxima semana, salientou que "há 26 anos" que é a Comissão de Trabalhadores que apresenta propostas na negociação coletiva e que assim deve continuar a ser.

"Quem tem de meter a proposta à aceitação dos trabalhadores tem de ser a futura Comissão de Trabalhadores", que deverá ser eleita em 3 de outubro, afirmou o líder do Sindel, sindicato que, garantiu, "nunca se recusou a sentar à mesa com outras estruturas, ao contrário de outras que negoceiam em mesas separadas".

Rui Miranda reagiu ainda às declarações feitas pelo presidente executivo da Volkswagen, Herbert Deiss, que espera uma solução em outubro para o conflito laboral na Autoeuropa e que afastou a hipótese de transferir a produção do novo modelo T-Roc de Palmela.

"As palavras são muito bem-vindas mas não as podemos ver a curto prazo", afirmou Rui Miranda, salientando que é importante acautelar o crescimento da empresa para o futuro, quando estão em causa cerca de "4500 trabalhadores".

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