Economia

Vice António Varela demite-se do Banco de Portugal

Vice António Varela demite-se do Banco de Portugal

O vice-governador António Varela pediu, esta segunda-feira, a demissão da administração do Banco de Portugal. Era responsável pela pasta da supervisão e, antes das funções no regulador, representou o Estado na administração do Banif.

António Varela apresentou o pedido de renúncia ao Governo, conforme a lei prevê, segundo o comunicado do BdP, que não especifica as razões da saída.

Licenciado em organização e gestão de empresas pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade Técnica de Lisboa, António Varela, de 59 anos, tem um percurso ligado ao setor financeiro, tendo sido nomeado administrador do Banco de Portugal em setembro de 2014, com o pelouro da supervisão prudencial.

Imediatamente antes de assumir o cargo de administrador no supervisor e regulador bancário, António Varela tinha sido administrador não executivo do Banif, entre janeiro de 2013 e setembro de 2014. O gestor ocupou o cargo em representação do Estado quando, após uma injeção de capital público, o banco fundado por Horácio Roque na Madeira passou a ter capital maioritariamente público.

Aquando da resolução do Banif, em dezembro passado, o nome de António Varela foi bastante falado, sobretudo por, conforme refere uma ata do Conselho de Administração do Banco de Portugal, ter pedido para não participar em decisões relacionadas com o Banif por ter depósitos no banco e ainda ser investidor de títulos emitidos pelo grupo, mas também por ter passado diretamente da administração do Banif para a administração do supervisor e regulador bancário.

Em janeiro, à margem de uma conferência sobre banca na Faculdade de Direito de Lisboa, o Expresso questionou o ex-presidente executivo do Banif Jorge Tomé sobre se via incompatibilidades em trabalhar no setor bancário depois de ter sido administrador de um banco que acabou alvo de um resgate.

A resposta de Jorge Tomé foi uma referência indireta a António Varela: "Não sei se há incompatibilidade, mas de uma coisa tenho a certeza: para ser supervisor não haverá incompatibilidade", disse, citado pelo semanário.

Já durante a conferência, sobre o facto de os administradores do Estado no Banif terem uma função não executiva, Jorge Tomé garantiu que, apesar disso, os representantes do Estado "discutiram e estavam a par de todas a decisões de gestão, tinham direito de veto e exerceram-no".

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