A Galeria JN, no Porto, expõe, de 22 de Abril a 15 de Maio de 2010, a exposição "Percursos", de António Carmo.
A entrada é livre.
Edifício JN, R. Gonçalo Cristóvão, 195 4049-011 195 4049-011 Porto. Horário: 2ª a 6ª feira, das 12,30h às 19,30h / Sábados das 15h00 às 20h00 / Domingo e feriados, encerrada.
Metamorfoses e prodígios
Um dos traços distintivos da pintura de António Carmo é o universo cultural que ela ilumina e reflecte como caligrafia plástica de grande beleza. Nesse fascínio, que nos enche os olhos, está o seu compromisso criador com a pintura, o caminhar original em busca de uma linguagem própria, o denso envolvimento cromático sobre os passos à volta da realidade cósmica que habita e procura (re)inventar na solidão do acto criador. E penso nas palavras de Baudelaire que respondiam à inquietação de saber o que era a arte pura na concepção moderna: "É criar uma magia sugestiva que contenha ao mesmo tempo o objecto e o sujeito, o mundo exterior ao artista e o artista ele próprio". Uma viagem afinal à procura de um outro mundo, que a obra de António Carmo edifica, traço a traço, linha a linha, cor a cor, num rigoroso registo de marca pessoal, feito de surpreendente explosão de cores, de rostos, de mulheres, de oferendas corporais, de olhos que nos interrogam no espelho em que os quadros se transformam.
O espelho amplia-se em infinitas interrogações que, às vezes, questionam a própria história da arte, como acontece nessa viagem fabulosa em louvor da pintura em que António Carmo faz uma introspecção plástica intemporal que envolve obras de autores como Botticelli, Rubens, Velásquez, Vermeer, Lautrec, Modigliani, Van Gogh, Gaugin, e de pintores do século XX, mais próximos de nós, como Klimt, Picasso, Matisse, Léger, Miró, Magritte, Lempicka, Frida Kahlo. "Pego em elementos do pintor e trasnsformo-os", confessou António Carmo quando mostrou estas telas na capital belga numa exposição sabiamente intitulada "Navegando pelos Ateliers da Memória". São olhares cruzados sobre tempos e pintores que se elevaram à mais alta ideia da criação e nos ajudam a perceber a intemporalidade da arte. São metamorfoses muito intensas.
Num certo sentido, estamos perante um pintor europeu, com os dias divididos entre Lisboa e Bruxelas. Mas essa contingência dos dias não dissolveu, antes ampliou, a raiz portuguesa do seu olhar tão matizado de azúis e memórias telúricas. A matriz da sua pintura tem tudo a ver com esta terra debruada de mar, com os desenhos despojados de artifícios, com figuras do quotidiano de comovente densidade social, com este país solar, como bem notou Urbano Tavares Rodrigues, com a poética dos lugares ou a celebração lírica da mulher de forma intensa e pura, às vezes tocada por uma doce sensualidade. Estamos perante a configuração da pintura a uma memória de vivências de recorte popular, ou de identidades comuns, como os óleos sobre o fado, instantes que as cores (uns azúis colhidos do céu português) transformam em prodigiosa sinfonia plástica. Eis a sua linguagem, o seu fio de arte que nos convoca à matéria dos sonhos.
Vou a Malraux e encontro porventura uma definição da arte de António Carmo, quando, em As Vozes do Silêncio, ele escreve: "A pintura tende muito menos para ver o Mundo do que para, a partir dele, criar um outro; o Mundo serve o estilo e este serve o homem e os deuses". E clarifica: "À pergunta "o que é a arte?", somos levados a responder: Aquilo pelo qual as formas se tornam estilo".
É essa verdade que irrompe e se afirma, com as suas metamorfoses de imaginário, no universo criador de António Carmo.
Fernando Paulouro Neves
Janeiro de 2010
ANTÓNIO CARMO
NOTAS BIOGRÁFICAS
Nasceu em 1949 na Madragoa em Lisboa.
Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio em Lisboa, onde tirou o curso de pintura. Fez parte do Grupo de Bailados Verde Gaio de 1967 aos anos 80.
EXPOSIÇÕES NO PAÍS
Desde 1968 vem apresentando os seus trabalhos, nomeadamente em exposições individuais e colectivas, nas Galerias Diário de Notícias, S. Francisco, S. Mamede, Tempo, S.N.B.A, Triângulo 48 e MAC em Lisboa, Galeria 2 e Morada no Porto, Galeria Municipal da Amadora, Galeria Escuderos em Beja, Galeria Arte Vária em Coimbra, Galeria Arco 8 nos Açores, Galeria Neupergama em Torres Novas, Igreja Santiago em Palmela, Teatro Baltazar Dias na Madeira, Museu Grão Vasco em Viseu, Museu de Castelo Branco, Museu de Setúbal, Museu de Santiago do Cacém, Museu da Figueira da Foz, Bienal da Maia 97, Palácio D. Manuel em Évora, Casa do Corpo Santo em Setúbal, Museu de Peniche, Galeria Municipal de Abrantes, Galeria Mónica Pereira no Porto, Galeria Artur Bual na Amadora, Galeria do Castelo S. Jorge em Lisboa, Galeria Municipal de Seia, Convento S. José em Lagoa, Casa da Cultura de Pombal e Galeria Municipal Stº. António em Monchique, Galeria do Teatro de Vila Real, Museu Municipal Martins Correia na Golegã, Galeria da Biblioteca Almeida Garrett no Porto, Centro de Artes de Sines, Mosteiro de Alcobaça, Centro Cultural de Bragança, Livraria Círculo das Letras em Lisboa, Centro Cultural da Guarda, Galeria Galveias em Lisboa e Museu Armindo Teixeira Lopes em Mirandela, Moagem-Cidade do Engenho e das Artes no Fundão.
EXPOSIÇÕES NO ESTRANGEIRO
INGLATERRA - Casa de Portugal / Londres (indiv.) 1975
ESPANHA - Alcalá de Henares (col.) 1977 - Bienal Joan Miró (col.) 1978/1980/1982 - Bienal do Desporto/Barcelona (col.) 1993 - Galeria Espai Blanc / Barcelona (indiv.) 2000 - Artexpo Feira de Artes no Palácio dos Congressos / Barcelona 2001 - Galeria del Palau /Valencia 2008.
HOLANDA - Galerias 109 e Solidair / Roterdão (indiv.) 1980 - Galerie Ibérica / Haia (indiv.) 1983 - RAI - Centro Internacional de Congressos / Amesterdão (col.) 1994 - Galeria Brinkman / Amesterdão (indiv.) 1994.
BULGÁRIA - Jovens Pintores Portugueses (col.) 1985 - Exposição sobre a obra de Dimitrov (col.) 1985.
ALEMANHA - Galeria Am Weinendamm / Berlim (col.) 1984 - Galeria Louise / Hannover (col.) 1988 - Galeria Dresdner Bank / Munique (col.) 1990 - Galeria Portugal in Drei Räumen / Berlim (col.) 2002 - Berliner Fernsehturm (indiv) e Galerie Artvento (indiv) / Berlim 2004.
BÉLGICA - Galeria Racines / Bruxelas (indiv.) 1987 - Galeria L´Oeil / Bruxelas (indiv.) 1989 - Galeria Racine/L´Oeil / Bruxelas (indiv.) 1996 - Galeria Albert I / Bruxelas (col.) 1997/98/2002/2004 e (ind) 2000/2003/2006/2008 - Parlamento Europeu (Sala Leopold I) / Bruxelas (indiv.) 1998.
CHECOSLOVÁQUIA - Exposições colectivas em Praga e Bratislava 1988.
LUXEMBURGO - Galeria Royal (indiv.) 1996 - Instituto Camões (indiv.) 2001. Galerie Schortgen (col.) 2004.
U.R.S.S. - Palácio da Cultura na Bielorussia / Minsk (indiv.) 1990 - Casa da Amizade dos Povos / Moscovo (indiv.) 1990.
MACAU - Instituto Cultural de Macau (indiv.) 1987.
JAPÃO - Arts Bank Tokyo / Tokyo (indiv.) 1991 - TIAS 92 (Tokyo International Art Show) / Tokyo (indiv.) 1992
AUSTRÁLIA - Portuguese Etnographic Museum / Sidney (col.) 1995 - Gabriel Gallery/ Melbourne (col.) 1995 - Steps Art Gallery / Melbourne ( col.) 1995.
GUINÉ-BISSAU - 2ª Feira das Amostras / Bissau (indiv.) 1971 - Liceu Honório Barreto / Bissau (indiv.) 1971.
MARROCOS - Museu Ondayas / Rabat (indiv.) 1993 - El Jadida / Casablanca (indiv.) 1993.
U.S.A - Museu Cabrilho / S. Diego-Califórnia (indiv.) 1988.
CANADÁ - Centro Cultural Jacques Auger / Ottawa (indiv.) 1999 - Galeria Almada Negreiros / Toronto (indiv.) 1999 - Sala Multiusos / Montreal (indiv.) 1999.
VENEZUELA - FIV - Feira Industrial de Valencia / Valencia (col.) 1983.
SUÍÇA - Union Postale Universelle (indiv.) 2000
SUÉCIA - Stadsmuseum Göteborg - Gutemburgo (indiv.) 2001, Etnografiska Museet - Estocolmo (indiv.) 2005
CABO VERDE - Exposição no Instituto Camões nas cidades da PRAIA e MINDELO (indiv.) 2002.
BRASIL - Museu do Homem do Nordeste / Recife, Teatro de Alencar / Fortaleza, Palácio das Artes / Belo Horizonte e Casa de Portugal / S. Paulo (indiv.) 2004
REPRESENTAÇÕES NACIONAIS
Museus Tavares Proença Júnior em Castelo Branco, Armindo Teixeira Lopes em Mirandela, Martins Correia na Golegã, Grão Vasco em Viseu, Diogo Gonçalves em Portimão, Municipal de Estremoz, Convento de Jesus em Setúbal, Dr. Santos Rocha na Figueira da Foz, Instituto Cultural de Macau em Macau , futuro Museu do Desporto em Lisboa, Museu do Teatro de Lisboa, Colecção do Teatro de Vila Real, Fundação de Serralves e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.
Caixa Geral de Depósitos, Banco de Portugal, Montepio Geral, Banco Internacional do Funchal em Lisboa e Millennium bcp.
Câmaras Municipais de Lisboa, Beja, Peniche, Palmela, Seixal, Castro Verde e Amadora e Palácio da Justiça do Barreiro e várias colecções particulares, entre outras, as de Ernesto Martins e Miguel Patrício.
Painel de azulejo evocativo dos 25 anos da morte de Adriano Correia de Oliveira (1982/2007), em Avintes.
REPRESENTAÇÕES INTERNACIONAIS
Museus Montecatini em Itália, S. Antonio de Los Bãnos em Cuba, Palácio da Cultura na Bulgária, Angola, Pantwowe na Polónia, Instituto Camões no Luxemburgo e colecções privadas de Bodo Hüsing-Hoge e Werner Ott na Suiça. Paineis de grandes dimensões na APEB em Bruxelas.
MENÇÕES
"Portuguese 20th Century Artists" de Michael Tannok, "Dicionário dos Pintores e Escultores Portugueses" de Fernando Pamplona, "The World´s Art Directory" , "Livro de Artistas em Portugal" de Margarida Botelho, "Artist Yearbook International"", Aspectos das Artes Plásticas em Portugal" de Fernando Infante do Carmo, "Enciclopédia Luso-Brasileira Verbo/Edição 98", "Itália-Brasil Arte 2005" de Emanuel von Lauenstein Massarani, "Brasil Artshow" de Enock Sacramento e "Who´s who of Australian Visual Artists".
PRÉMIOS
Especial MAC 1997
Pintura MAC 2000
Carreira MAC 2007
ILUSTRAÇÕES EM JORNAIS E LIVROS DE VÁRIOS AUTORES PORTUGUESES
ARTISTA EXCLUSIVO
Japan Arts Bank / Tokyo para o Japão e Galerie AlbertI / Bruxelas para a Bélgica.
Quadros em permanência na Galeria Albert I em Bruxelas.
Email: carmo_antonio@hotmail.com
Site: www.antoniocarmo.com.pt