A Galeria JN, no Porto, expõe, de 24 de Março a 17 de Abril de 2010, a exposição "Under Paintings" de Victor Costa.
A entrada é livre.
Edifício JN, R. Gonçalo Cristóvão, 195 4049-011 195 4049-011 Porto. Horário: 2ª a 6ª feira, das 12,30h às 19,30h / Sábados das 15h00 às 20h00 / Domingo e feriados, encerrada.
Há graves problemas de visibilidade em Portugal, nas artes como em muitas outras actividades, criativas ou não; melhor será dizer, acrescentando um prefixo, de invisibilidade, fenómeno que afecta obras e personalidades do presente ou do passado sem que claramente se perceba o porquê. No caso de Victor Costa, o "rigor e o pudor", mencionados por Fernando Pernes num texto de 2002, e que estão presentes, em partes iguais, na obra e na pessoa deste pintor, ajudam a essa relativa penumbra de uma obra já bem longa, completada por uma militante actividade divulgadora da nossa arte moderna no Centro de Arte de S. João da Madeira. Infelizmente, em Portugal, basta estar poucos quilómetros afastado de Lisboa, ou do Porto, para estar fora pagando um preço bem injusto por uma situação na qual, voluntariamente ou não, todos colaboramos mais ou menos. O meu conhecimento da obra de Victor Costa foi, por essas razões, tardio, tardio mas não menos proveitoso em leitura de catálogos, encontros no atelier e posterior visita a exposições, até à presente oportunidade para falar da sua mais recente pintura.
Os trabalhos que encontramos nesta exposição participam num momento de viragem da produção deste artista que data de 2008 e que já foi objecto da exposição Geometrias Abertas, no ano passado, no Auditório Municipal de Gondomar, ela própria inspirada nas acumulações de contentores que Victor Costa anteriormente fotografara em Leixões. As geometrias referidas no título são formas quadradas ou cúbicas, como outros tantos quadros dentro do quadro, ou espaços de relativa autonomia dentro do quadro, que invadiam, por vezes dominadoramente, os campos de cor e de sinais anteriores e ainda perfeitamente visíveis e que constituem o coração da poética plástica deste artista. Neste momento, essa viragem continua enquanto se transforma, já que a volumetria das formas cúbicas anteriormente apresentada evoluiu para dois tipos de objectos visuais: um paralelepípedo aberto nos topos e numa das faces, uma espécie de grande calha ou de malhete fêmea, e a sua transformação num painel articulado que vai inventar uma série de espaços compartimentados a tender para o labiríntico. Dir-se-ia que, de 2008 para cá, o anterior universo pictural de Victor Costa, um rio de fluidos e de sinais, foi invadido por estruturas aparentemente mais rígidas que, ao mesmo tempo, organizam e entram em confronto com esse universo anterior.
A presente exposição mostra-nos três tipos de estruturas: uma construção mais arquitectónica e fechada feita da acumulação das calhas malhetes voltadas para baixo, um estrutura mais solta e mais aérea utilizando os mesmos elementos, dispersos e abertos em cima e, ainda, os painéis que dão forma e organização à matéria informe que os sustenta. O nosso olhar pode, e deve, passar de uns para os outros ao sabor das mais variadas sugestões, descobrir como, algumas estruturas aparentemente pesadas estão voando ou flutuando, e outras, de uma tonalidade gris que imediatamente lembra a matéria concreta do cimento que as inspira, vão a caminho de ser transparentes como um véu; ou ainda como os espaços fechados dos labirintos continuamente se abrem para a multiplicidade da matéria de pintura. Podemos perguntar: onde se suspendem estas formas? Onde assentam as outras? Para que espaços abrem? A resposta será sempre a mesma, já que essas formas não têm qualquer base, parede, chão, ou terra firme mas existem, sempre e contraditoriamente, nesse contínuo fluir, nesse antigo rio da pintura. Entre a forma e o informe há dois tipos de espaço que se defrontam e se sucedem também, criando, quadro a quadro, uma tensão onde o espaço da pintura e o tempo da sua transformação convivem, colidem e mutuamente se transformam criando objectos singularmente tensos.
Há muitos anos, na década de 60, um conhecido pintor e crítico francês, Michel Seuphor (1901-1999), publicou um livro de ensaios intitulado "O estilo e o grito", referia-se ele às duas grandes vertentes da pintura abstracta ainda dominantes na segunda escola de Paris, com vertentes geométricas, por um lado, e, líricas, pelo outro. Essa antiga distinção surge-nos bem actualizada, fora das polémicas abstracto versus figurativo há muito obsoletas, nestas pinturas mais recentes de Victor Costa que parecem encenar uma dupla e contraditória necessidade: a de organizar e construir o espaço e a de se deixar guiar pela pintura. A um primeiro olhar nada mais estável do que estas estruturas, porém elas só se erguem, enquanto construções, para o nosso olhar imaginariamente as subverter a partir das sugestões que a pintura dá, elas são estruturas enganadoras, ilusórias mas não ilusionistas, quando atravessadas pelo olhar; elas são também manifestos simultâneos de mudança e de continuidade convergindo num antigo e contínuo fluir da pintura " tomando sempre novas qualidades".
José Luís Profírio
Nasceu em Urgueses, Guimarães, em 1944.
Curso Complementar de Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, 1977.
Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Foi Professor Associado da Faculdade de
Belas Artes da Universidade do Porto até 2005.
Membro do Conselho Científico da Rede de Museus da Câmara Municipal
de Santa Maria da Feira.
Director do Centro de Arte de S. João da Madeira e Membro do Conselho
de Administração do Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende.
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
SOLO EXHIBITIONS
1982 Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
1983 Convívio - Guimarães
1984 Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa
1985 Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
1987 Módulo - Centro Difusor de Arte, Lisboa e Porto
1990 Galeria JM / Gomes Alves e Convivio, Guimarães
1993 Módulo - Centro Difusor de Arte, Porto
1997 Casa da Cultura, Estarreja
1998 Cooperativa Árvore, Porto
2001 Centro Multimeios, Espinho
2001 Casa da Cultura de Fafe
2002 Palacete Viscondes de Balsemão, Porto
2002 Pintura e Desenho - J. Gomes Alves, Guimarães
2004 Imagens do Tempo - Igreja de S. Vicente, Évora
2006 Travelling - Lugar do Desenho / Fundação Júlio Resende
2007 Trabalhos Recentes - Galeria de Exposições dos Paços da Cultura de S. João da Madeira.
2009 Geometrias Abertas - Auditório Municipal de Gondomar
EXPOSIÇÕES COLECTIVAS. NACIONAL
GROUP EXHIBITIONS. NATIONAL
1982 ARÚ'S, 1ª Exposição de Arte Moderna - Museu Nacional Soares dos Reis e S.N.B.A. no Porto e Lisboa
III Bienal de Vila Nova de Cerveira
1983 Artistas do Porto sobre Papel - Módulo, Porto
1ª Exposição Nacional de Desenho - Cooperativa Árvore, Porto.
1984 EIAM? 84 - 1ª Exposição de Arte Moderna Campo Maior
IV Bienal de Vila Nova de Cerveira
Pequeno Formato - Cooperativa Árvore, Porto
LAGOS / 84 ? Lagos
1985 1ª Exposição de Arte Contemporânea - A. Fernando de Oliveira, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto
Eight Portuguese Artists - 1975-1985
The First Decade - Módulo - Lisboa e Porto
1986 LAGOS / 86 - 3º Mostra de Artes Plásticas
Um certo Aroma Surrealista - Museu Nacional Soares dos Reis, Porto
Novas Tendências de Desenho - SNBA, Lisboa
12 Pintores Contemporâneos - (Módulo), Porto
F.C. Porto 1906-1986 - 80 anos de Arte no Porto
1ª Mostra de Arte Portuguesa Contemporânea - Centro de Arte de S. João da Madeira
1987 Artistas Portugueses Contemporâneos - Módulo, Lisboa e Porto
Exposição de Pintura - José de Guimarães e Victor Costa - Oliveira de Azeméis
1ª Mostra de Arte de Vila do Conde
II Bienal de Escultura e Desenho - Caldas da Rainha
MARCA / 87, 1ª Feira Internacional de Arte da Madeira - (Módulo), Funchal
1988 LAGOS 88, Lagos
1993 Douro, um rio para quem o merece - Oito artistas num percurso do Douro, Cooperativa Árvore, Porto
Tendências da Arte Contemporânea em Portugal - Museu Municipal de Vila da Feira
ESBAP/FBAUP - 215 anos das Belas Artes do Porto - Museu dos Transportes e Comunicações, Alfândega, Porto
1994 África Minha ? Caixa Geral de Depósitos, Culturgest, Lisboa
1995 VIII Bienal de V. N. Cerveira
1997 Goa - Palácio Galveias, Lisboa
Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, Porto. Produção da Fundação do Oriente
2000 Malibrito
Participou nas ?Projecções na Fachada do Edifício dos Paços da Cultura do Concelho? no Porto
2001 21Porto2001
Galeria João Lagoa. Porto
Gaya 2001, Quinta da Boeira, Vila Nova de Gaia
(+/-) Vinte grupos e episódios no porto do Séc. XX, Galeria do Palácio, Porto
2002 ?Os Lugares do Desenho?
Palacete Viscondes de Balsemão
2003 Homenagem Eugénio de Andrade
Palácio Cristal, Porto
Viagem ? Ilha de Moçambique
Fundação Júlio Resende, Gondomar
2006 "20 Artistas no 20º Aniversário"
Galeria de exposições dos Paços da Cultura de S. João da Madeira
2007 ArteLisboa, Galeria Bolsa de Arte, Lisboa
2008 Bienal do Montijo , como artista convidado
Feet to Feet, Por Amor à Arte Galeria, Porto
EXPOSIÇÕES COLECTIVAS. INTERNACIONAL
GROUP EXHIBITIONS. INTERNATIONAL
1981 Artistas de Oporto - integrada na Semana Cultural Luso Galaica, Vigo Espanha
1982 Quatro Dias da Cultura Portuguesa - Sevilha, Espanha
1985 ARCO / 85 - (Módulo), Madrid
Portuguese Contemporary Artists - One World Trade Center,
New York
1986 ARCO / 86 - (Módulo), Madrid
Artistes du Nord de Portugal, Quinzaine Portugaise - Galerie
de l?Abbayo, Echternach, Luxemburgo
ART?17 / 86 - (Módulo), Basel, Suiça
1987 ARCO / 87 - (Módulo), Madrid
ART?18 / 87 - (Módulo), Basel, Suiça
Exposição de Desenho Ilustrativo da "Declaração dos Direitos
do Homem" - ONU,Genéve, Suiça
EIAM'87, II Exposição Ibérica de Arte Moderna ? Campo Maior, Portugal e Museo de Arte Contemporaneo de Cáceres, Espanha.
1988 ART?19 / 88 - (Módulo), Basel, Suiça
1993 CumpliCIDADES - Recife, Natal, João Pessoa e Aracaja, Brasil
1994 Zeitgenossische Kunst aus Portugal - Wiesloch, Bonn, Stuttart, Heidelberg, Amarante e Matosinhos (exposição itinerante)
El Duero que nos Une - Arte Contemporaneo Português y Castelhan - Leinés, Zamora, Colégio Universitário e Salamanca, Palácio de Congressos y Exposiciones ? Espanha
1995 Ilustração para "88 leituras sobre Macau" ? Macau
1996 Six Universes in the Universe ? Galeria de Exposições da Fundação Oriente, Goa, Índia (exposição inaugural da Galeria)
Art. Exchange ?96 - Lauchester Gallery, Coventry, Inglaterra
Dimensão do Desenho, Paço Imperial do Rio de Janeiro, Brasil
1997 Dimensão do Desenho - Galeria da Embaixada de Portugal,
Brasília
Galeria Metropolitana de Arte do Recife, Brasil
Sinais, Galeria do Fórum, Macau
Oceanos - Galeria Metropolitana de Arte do Recife, integrada no intercâmbio Porto-Recife, Brasil
1998 Marcas da Ilha do Fogo - Centro Cultural Português, Praia e Mindelo, Cabo Verde
Dimensão do Desenho - Museu do Estado, Belém do Pará, Brasil
Centro de Artes UFF, Niterói, Brasil
1999 Dimensión del Dibujo - Museu de Belas-Artes, Santiago do Chile, Desenho como Dizer - Centro Cultural Português, Maputo, Moçambique
2004 Viagem ? Ilha de Moçambique
Centro Cultural de Macau, China
2009 Desenho Português no Egipto
Palácio Amir Taz ? Cairo, Egipto
PRÉMIOS
AWARDS
1977 Prémio da Fundação António José de Almeida
COLECÇÕES. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS
COLLECTIONS. PUBLIC INSTITUTIONS
Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa
Banco Português de Negócios
Caixa Geral de Depósitos
Bolsa de Valores - Lisboa e Porto
Banco Comercial Português
Faculdade de Belas Artes da Universidade
do Porto
Câmara Municipal de S. João da Madeira
Câmara Municipal de Fafe
Central Banco de Investimento, S.A
Centro Cultural de Macau, R. P. China
Fundação Oriente
Banco Bausparkasse Schwäbisch - Hall, Bonn,
Alemanha
OBRAS PÚBLICAS
WORKS SHOWN IN PUBLIC PLACES
Cerâmica
Fábrica Simoldes em Valencienne, França
Jardim Público da Ponte, S. João da Madeira.
Parque de estacionamento da Rua João de Deus e Viaduto
da Entrada Nascente, S. João da Madeira
Farmácia Santo António, Guimarães
Vitrais, Escultura em Grês, Mosaico e Têmpera
Igrejas de Ribeirão, Famalicão
Barcelinhos
Barcelos e S. Lázaro, Braga.
RESIDÊNCIA. ATELIER
RESIDENCY. ATELIER
Rua do Condestável, 504
S. João da Madeira
EMAIL victormanuelcosta@gmail.pt
SITE www.victorcosta.com.pt