Tecnologia

Estamos seguros na "internet das coisas"?

Estamos seguros na "internet das coisas"?

A cibersegurança vai para lá de coisas simples, como ter uma palavra-passe difícil ou não enviar dados importantes a fontes alheias.

Num mundo em que andamos com um computador no bolso e estamos sempre conectados, não é só a segurança dos dados que colocamos online que é necessário assegurar: é preciso ter cuidado com a utilização que os nossos dispositivos fazem da net.

O telemóvel controla a posição geográfica, partilha contactos com aplicações como o "WhatsApp" e até os aparelhos de casa já estão, muitas vezes, ligados à web.

Na era da "internet das coisas", em que há cada vez mais dispositivos com a capacidade de se ligarem à rede, e entre si, é preciso garantir que só nós sabemos a que horas se liga a nossa máquina do café ou qual o caminho que o nosso carro inteligente fez até chegar ao trabalho.

O futuro da segurança cibernética, numa altura em que se celebra mais um Dia da Internet Segura, vai passar por aí, garante André Zúquete, do departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro. "Sempre que há um avanço tecnológico, há um problema de segurança novo", diz. "As evoluções mais fantásticas normalmente são feitas sem segurança e trazem novos desafios nesse campo. Pensa-se sempre primeiro em termos de custo e não em termos sociais e de segurança", admite, dando como exemplo os automóveis sem condutor, tão elogiados pelo seu futurismo mas tão longe ainda do nosso dia-a-dia. "Qual é a seguradora que irá criar um seguro para um carro que se conduz sozinho?", questiona.

Outro exemplo prende-se com a utilização crescente dos "smartmeters" (contadores inteligentes), que estão a ser instalados nas casas mas ainda deixam dúvidas quanto à segurança dos dados que recolhem.

"O que fazem é medir tudo permanentemente e "mastigar" os dados para avaliações. Essa informação dá um poder de supervisão inacreditável e isso não está a ser discutido", relembra Zúquete, que acredita que as empresas que os instalam "avançam sem garantia de segurança ao cliente. As medidas de segurança, por cá, vêm sempre à posteriori. As autoridades só atuam como reação e não em prevenção", assegura.

Mas nem tudo é mau neste novo paradigma: há mais utilizadores, mais aparelhos e até mais internet, "mas a quantidade de empresas que tratam de segurança e de serviços e proteções também é maior" e as pessoas estão mais "conscientes do que colocam online".

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