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Ninguém sabe o que vai ser (d)o Twitter

Ninguém sabe o que vai ser (d)o Twitter

Serviço faz dez anos esta segunda-feira e tem o futuro rodeado de incertezas, apesar de ser um sucesso global.

O Twitter perdeu dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) desde que foi criado, em 2006. Nunca gerou lucros. Só em 2015, perdeu 460 milhões de euros. Quando entrou na Bolsa norte-americana, em 2013, as suas ações valiam 70 dólares. Agora, valem menos de 20.

Mas há números bem mais positivos e que tornam o mistério sobre o Twitter e o seu futuro ainda mais interessante. O serviço tem 320 milhões de utilizadores em todo o Mundo. Um ano depois do primeiro "tweet", publicado pelo cofundador Jack Dorsey, faz hoje 10 anos, eram enviados 5 mil tweets por dia, segundo o "Financial Times". Em 2008, o número subiu para 300 mil/dia. Dois anos depois, a empresa declarava que eram já 50 milhões. Em 2013, foram publicados 500 milhões de tweets por dia. No Twitter encontram-se os amigos e os inimigos, há ódio e raiva, há amor e apoio incondicional. Ninguém é ignorado, todos tem uma palavra, ou antes 140 carateres, a dizer. Nesse mundo virtual, pode-se ter uma conversa, de igual para igual, com a mais distante celebridade, o mais competente desportista ou o mais importante político.

Os números são astronómicos e a relevância só é comparável ao Facebook. O Twitter tem uma audiência global, tem inegável influência na agenda mediática em todo o Mundo, foi considerado uma ferramenta fundamental, por exemplo, para o arranque da Primavera Árabe, e há governos ditatoriais que temem mais o que lá circula do que o que é publicado em muitos jornais. Os especialistas perguntam-se, portanto, por que razão o serviço não consegue ser financeiramente sustentável, pondo em causa o seu futuro.

Há um aspeto impossível de ignorar: ninguém sabe muito bem definir o Twitter. Biz Stone, outro dos cofundadores, lembrou em 2012, numa conferência, que poucos acreditaram ao início que o serviço fosse sequer crescer, porque não tinha nenhuma utilidade. "E eu lembro-me do meu colega Evan Williams dizer: "Bom, também o gelado. Será que devemos acabar com o gelado? Qual é o problema de termos uma coisa que é apenas divertida?".

Dez anos depois, o Twitter passou a ser um caso sério. Mas a discussão dentro da empresa continua: ninguém sabe ainda como e quem o vai pagar. A incerteza mede-se assim, segundio um relatório de atividade publicado recentemente pelo Twitter:"Já incorremos em perdas significativas no passado, e corremos o risco de não conseguir atingir ou manter lucros".

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