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Com esta app já não se pode esconder na multidão

Com esta app já não se pode esconder na multidão

Está em funcionamento há dois meses. É uma aplicação que permite o reconhecimento facial no meio de uma multidão. A fiabilidade é de 70%.

"FindFace" é uma aplicação e está a levar a Rússia a um debate aceso sobre a quebra do anonimato em público.

Como funciona? Tira-se uma fotografia no meio da rua, num café, em qualquer espaço e a app procura os perfis que se ajustam ao reconhecimento facial da pessoa em causa na rede social Vkontakte, uma rede que conta com mais de 200 milhões de contas.

Esta tecnologia pode revolucionar a discussão sobre os direitos de privacidade. Num mundo que tem já mais de 250 milhões de câmaras de videovigilância.

Desde que a app saiu para o mercado, já conseguiu mais de meio milhão de subscritores. Os fundadores da "FindFace" são dois jovens: Artem Kukharenko, de 26 anos, e Alexander Kabakov, de 29.

Em conversa com o jornal inglês "The Guardian", em Moscovo, Kabakov explicou: " Três milhões de buscas num banco de dados de fotografias de quase 1 bilião são centenas de triliões de comparações, e tudo em quatro servidores normais. Com este algoritmo pode-se pesquisar através de um bilião de fotos em menos de um segundo a partir de um computador normal".

Assustado? As implicações desta revolução tecnológica podem ser alarmantes. Em São Petersburgo, a app tem sido usada por um fotógrafo para identificar as pessoas que viajam de metro na cidade, ou por "vigilantes" da cidade que procuram descobrir os perfis nas redes sociais de atores pornográficos e persegui-los.

A noção de que estamos sobre permanente vigilância não é nova mas o reconhecimento facial está para além dessa realidade. A tecnologia que gera polémica na Rússia e que permite identificar estranhos, permite também às agências de segurança do governo determinar as identidades dos dissidentes, permite às grandes agências bombardeá-lo com anúncios publicitários ou a qualquer pessoa, descobrir o seu perfil e mandar-lhe qualquer tipo de mensagens.

Acaba-se o mundo privado? Já não podemos ser estranhos? Tudo vai tornar-se público?

Já não é um filme.

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