Violência Doméstica

Maioria dos idosos vítimas de violência são mães e sentem-se culpadas

Maioria dos idosos vítimas de violência são mães e sentem-se culpadas

Os idosos vítimas de violência doméstica são na maioria mulheres, que se sentem corresponsáveis pelos atos do agressor, normalmente descendente com alguma dependência de consumos aditivos.

Desde o início do ano que a Associação de Desenvolvimento e Apoio às Mulheres - "Mulher Século XXI", sediada em Leiria, tem disponível uma linha gratuita de apoio a idosos vítimas de violência, "ainda desconhecida da maioria das pessoas".

A linha telefónica deveria ter sido implementada em novembro, após ter sido um dos projetos financiados no âmbito do Prémio BPI Seniores, mas "dificuldades em adquirir um número" adiaram o seu lançamento, explicou a técnica de apoio à vítima, Catarina Louro.

Segundo esta socióloga, as estatísticas evidenciam que o perfil do idoso vítima de violência doméstica é mulher, que vive com os filhos, que "têm alguma dependência de consumos, como álcool ou drogas".

A maior parte das vítimas "é mulher, que assume o papel de mãe, educadora, pelo que considera que tem corresponsabilidade nas atitudes de que está a ser alvo. Sente-se culpada", sublinhou Catarina Louro.

"Normalmente, os agressores são os filhos e as filhas, ou noras, os cuidadores. Sendo esta relação afetiva tão forte, não é fácil tomar a iniciativa de denunciar", acrescentou Catarina Louro, que se disse convicta de que haverá "muitos idosos a serem vítimas em silêncio".

Além da violência física e psicológica, os idosos são também, por vezes, "alvo de exploração financeira, que leva à privação de necessidades básicas".

"Estamos a falar de pessoas com reformas elevadas, que até tiveram de vender a casa. Também há situações de tentativa de abuso sexual", revelou a técnica.

Segundo Catarina Louro, a linha pretende ser um "canal direto e confidencial" entre a associação e as pessoas idosas, "onde podem desabafar, conversar ou pedir conselhos, sem terem de dar o nome verdadeiro".

"Queremos conhecê-las para as proteger. Temos de caminhar na desocultação dos casos. Quanto maior for a dependência, mais tendência há para ser vítima. Só o facto de poderem verbalizar o que estão a passar, já faz com que reflitam sobre a situação e elas próprias podem assumir estratégias de proteção", reforçou.

"Através da linha podemos ajudar, dando ferramentas de como devem agir em determinadas situações e estratégias de segurança. Queremos protegê-las até conseguir criar uma relação de confiança ao ponto da pessoa pedir uma ajuda mais efetiva para resolver a sua situação", explicou a técnica.

O número 800 210 340 funciona nos dias úteis das 09.30 horas às 12.30 horas e das 14.00 horas às 18.00 horas. "Temos serviço de mensagem ativo e devolvemos chamadas, com as devidas precauções. Se for necessário, encaminhamos os casos para as nossas congéneres da zona da residência das vítimas", disse Catarina Louro.

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