Tempestade na Madeira

Mar de lama inundou urbanização, danificou casas e arrastou viaturas

Mar de lama inundou urbanização, danificou casas e arrastou viaturas

Um mar de lama invadiu hoje o lugar de Eiras, Santa Cruz, a dez minutos do Funchal, que só foi travado pelas casas que acabaram inundadas e danificadas.

Troncos de árvores, pedras, peças de carros e uma torrente de lama começou a descer da encosta, situada defronte à urbanização.

Pelas 10:00 soava uma espécie de alarme no local, com os moradores a acorrerem às varandas do primeiro andar.

"Foi uma questão de segundos", afirmou à Agência Lusa Nelson Barros, explicando que só teve tempo para dizer à mulher, que carregava a sua filha de três meses e meio ao colo, e à outra filha, de 12 anos, para subirem ao andar de cima.

Nesse momento apercebeu-se dos efeitos devastadores da água: três dos seus carros tinham sido arrastados até às casas do fim da rua, tornando maior o amontoado de viaturas que aí "estacionaram".

Foram pelo menos 15 as viaturas abalroadas pela força da água naquele local. E a força da água foi tal que, depois de entrar nas casas, destruiu ainda o seu interior e derrubou os muros de jardins, nas traseiras, arrastando para uma ribeira tudo o que encontrava pela frente.

Numa rua contígua, uma mulher contabilizava sete veículos que foram pela ribeira abaixo.

Da urbanização, ainda recente e de casas geminadas, saíam pessoas, algumas ainda de pijama, trepando as varandas, os telhados, os muros, para que pelo menos a água poupasse vidas humanas.

Com a ajuda de mais moradores e de escadotes foi possível às pessoas chegarem à parte mais alta da urbanização e ficarem a salvo, indo depois para casa de habitantes das imediações, que logo disponibilizaram cobertores, bebidas quentes, pão e depois uma canja.

Enquanto isso, a chuva continuava a cair copiosamente, arrastando mais lama, mais troncos de árvores, mais paus, mais pedras.

"Os bombeiros nem aparecem", desabafou Nelson Barros, admitindo que tivessem mais que fazer por exemplo na "Ribeira Brava e no Funchal".

Uma outra habitante, que abrigou durante todo o dia os vizinhos, queixou-se de ter ligado incessantemente para os bombeiros, mas nunca conseguiu estabelecer a chamada.

Foi por isso necessário recorrer aos préstimos de particulares e de uma retroescavadora para que fosse possível desviar o curso da água, evitando que continuasse a encher as casas de lama e detritos.

José Alberto Silva, que esteve no local esta tarde, já a chuva tinha parado e a lama estancado com a ajuda da retroescavadora, descreveu o cenário como "uma história de Dante, que estava a acabar o mundo e a água estava a tomar conta disto".

"É desolador, algo que nunca imaginava ver", declarou, apontando como causas a "deficiência das infraestruturas" que "prova que somos um país terceiro-mundista".

Recomendadas

Conteúdo Patrocinado