Aveiro

Pescador das caxinas desaparece em naufrágio

Pescador das caxinas desaparece em naufrágio

Uma embarcação de pesca, com 11 metros, quase nova, naufragou esta quarta-feira ao largo da Torreira. Cinco pescadores escaparam agarrados a boias. Mas o mais velho, de 59 anos, desapareceu. São todos das Caxinas.

Traída pela fé do seu nome, a embarcação de pesca artesanal "Por Deus Ajudado" naufragou, esta quarta-feira, ao início da tarde, no mar, entre a Torreira (Murtosa) e o Furadouro (Ovar), a cerca de dois quilómetros da costa.

Agarrados à vida com as mãos em boias, cinco pescadores, das Caxinas, Vila do Conde, sobreviveram, mas um outro, António Coentrão, 59 anos, continua desaparecido.

Os seis homens da tripulação, liderada pelo mestre Tiago Silva, de 24 anos, estavam a pescar quando se terão apercebido que o barco estava a ficar cheio de água. "Foi em poucos minutos. A embarcação virou-se rapidamente", contou José Festas, da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar.

"Não aguento mais"

O mestre só teve tempo de pedir socorro à Capitania de Aveiro antes de, juntamente com os seus homens, se atirar à água. António Maia, 22 anos, André Castro, 26, Carlos Barbosa, 31, António Silva (pai do mestre), 56, e Coentrão, agarraram-se a duas boias. Tiago, agarrado a outra boia, foi afastado dos companheiros pela água, e encontrado pelo barco "Irmãos Moita", de onde dois homens foram à água para o salvar.

"Não aguento mais". Terão sido estas as últimas palavras de Coentrão. Pouco depois, o pescador largou a boia que partilhava com os colegas e foi "engolido" pelo mar.

Os gritos de dor ouvem-se à distância nas Caxinas. À porta da pequena casa do Bairro dos Pescadores há gente de preto. A vizinhança baixa os olhos, em respeito e solidariedade. Ali já se sabe que, de vez em quando, o mar leva alguém e "toca a todos".

"Ele não sabia nadar", assegura uma vizinha. Talvez por isso e porque o homem terá sido "engolido pelo mar à vista de todos", esta quarta-feira ao final da tarde a mulher de António Coentrão já não alimentava esperanças de ver o marido com vida. Rezava-se para que o corpo apareça depressa.

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