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Doentes preferem radioterapia à noite

Doentes preferem radioterapia à noite

No dia em que Sílvia Russel Leite, educadora de infância, residente em Amares, disse à família que ia fazer o tratamento de radioterapia às 23.30 horas, no Hospital de Braga, pensaram que estava a fazer confusão.

"Desde o primeiro tratamento que tenho sempre marcações para a noite, o que, no meu caso, é muito bom porque venho tranquila, sem confusões, faço o tratamento e vou para casa dormir", disse, ao JN, a mulher de 50 anos a quem foi diagnosticado cancro da mama. Como ela, dezenas de doentes fazem tratamento à noite num dos raros serviços hospitalares que não tem lista de espera. "O nosso compromisso é o de não ter doentes à espera de tratamento e para que isso não aconteça, fazemos o que for preciso", afirmou Paulo Costa, diretor do Serviço de Radioterapia do Hospital de Braga.

Anualmente, cerca de 1300 novos doentes são atendidos. A maioria padece de neoplasia da mama ou da próstata. Por dia, desde as oito horas da manhã até que o último paciente seja atendido, são recebidas, em média, 120 pessoas. "Cada doente tem um plano individual de tratamento. São 120 planos diferentes, elaborados por uma equipa de médicos e físicos que, na prática, permite que o doente tenha consulta num dia e comece no dia seguinte a realizar tratamento", afirmou o clínico.

Além do distrito de Braga, passam pelo serviço pessoas enviadas pelo Hospital de Viana do Castelo. A calma e o silêncio que o cair da noite leva ao hospital agradam aos doentes. "Para fazer a primeira marcação, perguntaram-me a que horas queria e disseram-me que podia vir à noite", refere Arminda Costa Gomes, 67 anos, de Famalicão. E continua: "Nem pensei duas vezes e escolhi a noite porque posso fazer as minhas coisas de dia e à noite tenho companhia da família".

Márcia Rego é quem normalmente acompanha a mãe, Arminda. "Jantamos em casa e depois vimos ao hospital. Cerca de 20 minutos depois já está o tratamento feito e voltamos, aproveitando a viagem de carro para conversar", salientou. Sílvia Russel Leite prefere ir sozinha a conduzir. "Quando achar que preciso de companhia, digo mas, para já, gosto de me meter no carro e vir nas calmas fazer o tratamento e depois voltar para casa sossegadinha", referiu a educadora de infância que, de todos os malefícios do cancro, o que menos gosta é do "afastamento forçado" das crianças com quem trabalhava.

Para garantir que não há listas de espera, o Serviço de Radioterapia "ajustou e alterou" o horário de trabalho dos funcionários por forma a que estejam sempre no serviço médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares. "Não há custos económicos acrescidos porque todos os horários foram adaptados às necessidades dos doentes e do serviço", finalizou Paulo Costa.

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