Vila Verde

Ex-militar acusada de usar fita-cola em crianças

Ex-militar acusada de usar fita-cola em crianças

Um grupo de pais do jardim de infância de Geme, em Vila Verde, apresentou queixa no Ministério Público, na Junta de Freguesia local e no Agrupamento de Escolas de Vila Verde contra uma funcionária, pela alegada prática de maus-tratos físicos e psicológicos a, pelo menos, seis crianças.

Dos 15 alunos inscritos na turma, um nunca foi à escola e dois pediram transferência, nos últimos dias, para outra pré-primária do concelho. Em causa está, dizem os pais, a forma como a funcionária colocada na escola pela Junta de Freguesia no período correspondente à Componente de Animação e Apoio à Famílias, antes e depois das atividades letivas, cuida das crianças.

"Na "pré", para além da educadora, trabalham três assistentes operacionais. Uma colocada pelo agrupamento e duas pela Junta de Freguesia", afirmou a mãe de uma criança que já não frequenta o jardim de infância de Geme. "A funcionária em causa coloca as crianças de castigo num espaço fechado e sem luz, chama-lhes nomes e, em alguns casos, colocou-lhes fita-cola na boca", afirmou outra mãe.

"Parece que há um regime militar durante os prolongamentos, onde só fala aos gritos e com castigos", salientou a mesma mãe, supostamente, recordando o currículo de uma das assistentes operacionais que terá estado "em missões militares no estrangeiro".

António Rodrigues, diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Verde, garantiu ao JN que fará tudo o que puder par "resolver a situação". O agrupamento já disponibilizou apoio psicológico para as crianças que se recusam a ir à escola e que, entre outros sintomas, "recusam dormir às escuras ou têm pesadelos com a escola".

Em colaboração com a autarquia local, as duas funcionárias do jardim de infância vão receber formação dada por técnicos do agrupamento. "Terá havido comportamentos censuráveis mas, agora, temos que normalizar a situação", referiu António Rodrigues.

Natália Carvalho, a presidente da Junta de Freguesia de Geme, diz apenas que foi iniciado "um processo de averiguações". As funcionárias em causa foram contratas pelo Executivo anterior ao de Natália Carvalho e só agora vão receber formação para as funções que exercem.

"Notamos os primeiros sintomas nas crianças em janeiro. E foi sempre a piorar. O meu filho passa a noite a gritar e a dizer que não quer ir para o quarto escuro. Eles têm três e quatros anos, são crianças que estão a entrar na escola, mas parece que estão a entrar na tropa", finalizou uma mãe.

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