Douro Azul

Transporte público no Vale do Tua nas mãos de privado

Transporte público no Vale do Tua nas mãos de privado

O futuro transporte de passageiros no Vale do Tua vai ficar nas mãos de um privado nos próximos 25 anos, mas este só o garante até um prejuízo anual de 50 mil euros.

Este é o teto até onde Mário Ferreira, dono da Douro Azul, está disposto a ir para transportar de comboio, autocarro ou táxi as pessoas que precisem de se deslocar, no seu dia a dia, ao longo do percurso que antigamente era servido pelo caminho de ferro entre Mirandela e Foz-Tua, em Carrazeda de Ansiães.

Tal como o JN noticiou em julho passado, a empresa Transportes Turísticos do Vale do Tua, que pertence ao universo Douro Azul, vai assumir a mobilidade turística naquele vale, no âmbito do contrato já assinado com a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua, que reúne a EDP e as câmaras de Alijó, Carrazeda, Murça, Vila Flor e Mirandela.

O dono da Douro Azul foi a solução encontrada pela EDP para garantir a concretização do plano de mobilidade para o vale e assegurar umas das contrapartidas para a região exigidas pela construção da Barragem do Tua, depois de o concurso público internacional aberto pela Agência, no ano passado, ter ficado deserto.

Só que assumir em exclusivo a parte turística do plano também pressupõe ter de assegurar o transporte quotidiano de passageiros, que atualmente dá um prejuízo anual à CP a rondar os 100 mil euros. Isto porque a procura do serviço, três viagens para cada lado, sobretudo entre o Cachão (Mirandela) e Foz-Tua, ronda uma média de 15 pessoas por mês.

Mário Ferreira diz que está "disponível" para assegurar a mobilidade quotidiana, embora "não tenha obrigação de o fazer", já que o seu negócio é o turismo. Porém, não está disposto a assumir o prejuízo atual, concordando apenas em fazer as três viagens para cada lado, desde que lhe seja entregue o material circulante para ser requalificado e desde que os prejuízos de exploração vão "até um máximo de 50 mil euros por ano".

Falta de interessados

Os contornos deste negócio estarão ainda a ser discutidos, embora José Silvano, que já liderou a Agência e está por dentro da negociação, diga que já há acordo entre as partes para o serviço prestado atualmente, que define como "o mínimo obrigatório".

O que já está preto no branco é que Mário Ferreira irá assegurar, a partir da próxima primavera, a exploração turística do vale, que inclui o transporte dos turistas de autocarro desde a estação de Foz-Tua até ao cais da barragem, a viagem de barco até à Brunheda (Carrazeda), seguindo até Mirandela num comboio histórico.

Colocar este plano a funcionar custa cerca de 16 milhões de euros, sendo que 11 milhões saem dos cofres da EDP. Mário Ferreira vai avançar já com cerca "cinco milhões" e ficar à espera que o negócio corra bem durante os 25 anos da concessão, embora já esteja a contar que "pode dar prejuízo nos primeiros quatro ou cinco anos".

Para já, a Transportes Turísticos do Vale do Tua será a única usufruir das infraestruturas, como a linha ferroviária, os cais e as fluvinas, os meios de transporte, entre outros. "Não acredito que haja mais interessados. Se os houvesse, teriam aparecido quando o concurso esteve aberto", nota Mário Ferreira.

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