Porto

Árvores mutiladas na escola do Cerco

Árvores mutiladas na escola do Cerco

As árvores que o caderno de encargos da renovação da EB 2,3 e Secundária do Cerco, no Porto, obrigou a proteger foram "mutiladas". O arquitecto responsável pelo projecto está indignado com a operação, que decorreu dois meses depois da inauguração das obras.

Segundo apurámos, o corte generalizado das árvores terá acontecido em finais do ano passado, desvalorizando o projecto de renovação que terá custado entre oito e dez milhões de euros.

O projecto de arquitectura desenvolvido pelo arquitecto João Serro e coordenado por Ana Reboredo e Joaquim Oliveira teve em conta uma solução integrada entre edifícios e espaços verdes.

Um pavilhão polivalente onde se encontra a cantina foi mesmo desenhado em função de um plátano, criando-se uma abertura no centro edifício de modo a permitir o crescimento da árvore. Mas agora, de um exemplar com cerca de 25 metros de altura, resta um tronco com 3 metros.

"O corte severo da copa é uma mutilação", classificou João Serro que, ao JN, afirmou ser incompreensível o corte das árvores.

Até porque o caderno de encargos do projecto era claro: "Em caso algum deve ser efectuado o corte vertical, devendo-se manter o carácter natural". Porém, as árvores foram despidas de ramos e folhas, retirando-se, noutros casos, mais de 70% da copa.

O arquitecto alerta que a própria segurança dos alunos pode estar em causa. O arboricultor Paulo Moura confirma o perigo.

"A ironia é que, na maioria das vezes, estas podas tornam a árvore mais perigosa, devido a uma série de reacções de compensação que se desencadeiam a partir da zona de corte. Além de facilitar a entrada de fungos, o que acelera a decomposição da madeira e dá lugar à formação de zonas ocas. Amiúde, os rebentos de troncos em decomposição caem com facilidade", explica o especialista.

João Serro questionou a direcção da escola. Ao JN, disse que lhe explicaram que as árvores deitavam muitas folhas para o chão e não havia funcionários suficientes para a limpeza. Terá sido pedida então à Parque Escolar, responsável pela requalificação, a autorização para o corte. O JN contactou a direcção da escola, que remeteu as explicações para a Parque Escolar. Apesar das tentativas do JN, a empresa não disponibilizou esclarecimentos.

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