Reportagem JN

Nota da Direção: As notícias "falsas" e a Câmara do Porto

Nota da Direção: As notícias "falsas" e a Câmara do Porto

O presidente da Câmara do Porto tem vindo, nos últimos meses, a proceder a sistemáticos ataques públicos ao "Jornal de Notícias". Por não confundirmos as pessoas com as instituições e o interesse público com interesses individuais, temos optado pelo silêncio, prosseguindo aquela que é a nossa missão: informar e servir os leitores. Não podemos, contudo, ignorar a gravidade do comunicado ontem publicado no portal de notícias da autarquia (um site de um organismo público), perante o qual se impõem os seguintes esclarecimentos:

1. O JN publicou a 14 de março uma reportagem com o título "Pressionados para sair da Baixa", partindo de queixas de leitores, sobre residentes no Porto que têm sido contactados por imobiliárias, senhorios e outros para abandonar as suas habitações. A reportagem retrata casos reais e todas as pessoais existem, como não poderia deixar de ser, tendo inclusive sido fotografadas. Não foi alterada a idade de nenhum dos moradores nem adulterado propositadamente, como é dito no sítio oficial da autarquia na Internet, qualquer elemento de identificação.

2. Dos cinco depoimentos recolhidos, a autarquia dedica-se sobretudo a desacreditar o testemunho de Carolina Maria Correia Duarte pelas suas ligações ao PSD, acusando o jornal de, por causa disso, ter propósitos políticos. A jornalista que assina a reportagem ouviu-a na qualidade de moradora, não conhecendo então sequer a sua filiação. Mas ainda que se admita que a sua opinião possa ter uma motivação política, em nenhum momento condicionou ou influenciou os restantes depoimentos. Os cinco casos relatados são independentes entre si, foram reunidos através de diferentes fontes e não têm qualquer elo político ou de outra natureza. O comunicado chega a questionar a veracidade ou a forma como foi obtida a fotografia de um dos casais. Todas as fotografias foram feitas por fotojornalistas e todos os procedimentos são verificáveis por qualquer instância, não podendo o JN admitir as insinuações feitas em nome da autarquia.

3. Além dos referidos moradores, foram ouvidos a Associação dos Inquilinos e Condóminos do Norte e um advogado que defende diversos moradores e que descreve os mecanismos encapotados para facilitar a venda de imóveis. Ouvimos, para a reportagem, dezenas de pessoas e recolhemos diferentes contributos.

4. O JN não tem agenda política, não faz campanha por qualquer candidatura e respeita escrupulosamente as regras legais e deontológicas. O nosso único compromisso é com os leitores, em respeito pela verdade e pelo estatuto editorial que nos orgulhamos de seguir.

5. O "Jornal de Notícias" é o único órgão de implantação nacional feito no Porto, para o Porto e a partir do Porto para todo o país. Como sempre foi.

6. Embora percebendo que se aproxima um período de campanha eleitoral, não admitiremos que a estratégia de desacreditar o JN seja feita com recurso a falsidades e afirmações que difamam profissionalmente os seus jornalistas e a memória de uma instituição com 128 anos de história. Esta Direção continuará a fazer, como faz desde que assumiu os destinos deste diário em novembro de 2014, a defesa intransigente do trabalho do JN por todas as vias necessárias. Continuaremos, como em todas as matérias que publicamos, a questionar e a tentar ouvir a Câmara. Continuaremos a fazer jornalismo. Tudo o resto é ruído de campanha eleitoral.

Pode ler aqui a reportagem publicada pelo JN, dia 14 de março:

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