Vila Nova de Gaia

Teleférico arranca com 400 passageiros

Teleférico arranca com 400 passageiros

Percurso entre o Jardim do Morro e o Cais de Gaia começou a funcionar ao público. Utentes, inclusive turistas, criticaram preços dos bilhetes.

Muita gente que saiu, sexta-feira, à rua para comprovar se o teleférico estava mesmo a circular, em Gaia, achava que a notícia, que tinham visto na televisão, tinha sido preparada por se tratar do dia das mentiras. Afinal, mais de cinco datas já haviam sido anunciadas para a inauguração e foram sempre sendo adiadas.

Vivelinda Santo Cruz foi uma dessas pessoas que espreitaram, ao início da tarde, na bilheteria do Jardim do Morro, para perceber se as viagens eram gratuitas. "Em que país pensam que estamos? Como é possível uma viagem de ida e volta custar nove euros?!", desabafou a moradora de Gaia.

Também Fernanda Magro desistiu de experimentar uma viagem de teleférico até ao Cais de Gaia. "Só virei um dia para o meu neto conhecer. Os preços podiam ser mais acessíveis", sublinhou.

Porém, desde as 8.45 horas até à uma da tarde já tinham andando no teleférico de Gaia cerca de 50 pessoas. "Sobretudo, ingleses, franceses e alemães", referiu, ao JN, Catarina Almeida, operadora da bilheteira. Até ao final do dia, o número subiu para os 400.

E, sobretudo, no horário da manhã, fazendo o percurso da cota alta à baixa "no caminho para beber um cálice de vinho do Porto", explicou um casal de turistas holandeses. Fugindo do frio do país de origem, de calções e meias de lã nos pés, mostraram-se "maravilhados" com a paisagem, mas críticos quanto ao preço dos bilhetes. "Achávamos que no máximo só custaria cinco euros". "É muito caro!", concluíram.

Ainda assim, o teleférico conta "atrair os cerca de 600 mil turistas que anualmente visitam as caves de Vinho do Porto", referiu Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara de Gaia, que ontem inaugurou o teleférico, na companhia de D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, Narciso Miranda e Rui Veloso, que aproveitou as alturas para filmar.

A viagem de teleférico dura pouco mais de três minutos, sem tempo para concentrar o olhar em algum pormenor. Mas lá do alto, tanto é fascinante observar a paisagem do Porto, património mundial, como "entrar" pelas fileiras de corredores do Centro Histórico de Gaia e descobrir as cordas cheias de roupa, seguras com um pau, a secar ao sol.

E, se com vento, - como de resto aconteceu em Janeiro nas viagens experimentais - as cabinas balançam um pouco, com temperaturas altas, o ambiente torna-se irrespirável.

Mesmo assim, as viajadas irmãs gémeas, Deolinda e Olívia Resende, 78 anos, rumaram de Matosinhos a Gaia, com o amigo Paulo Teles, de 38, "especialmente para andarem de teleférico". No rol de experiências, Deolinda tem o teleférico do Pão de Açucar, no Rio de Janeiro (Brasil), no "currículo". Já Olívia andou no da Suíça, de onde observou a "maravilha do Monte Branco". "Esplêndido era isto só parar no Porto", concluíram.

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