Cartaxo

Explosão de há 25 anos deixou marcas para a vida

Explosão de há 25 anos deixou marcas para a vida

As marcas no rosto lembram todos os dias a Helena o que nunca poderá esquecer: "o buraco" na sua vida depois da explosão na sala de aula que atingiu 30 pessoas, faz hoje 25 anos, numa Escola Secundária do Cartaxo. Há, no corpo e na alma feridas que não saram.

A 25 de Janeiro de 1985, as atenções do país viraram-se para a Secundária do Cartaxo, quando uma violenta explosão, seguida de incêndio, ocorreu numa sala de aula. O incidente vitimou a professora e dezenas de alunos, dois dos quais não resistiram aos ferimentos e morreram.

"Estava a chover muito, muito, muito. De repente, houve um estrondo enorme e eu, como estava perto da porta, saí. Ainda consigo visualizar abrir a porta e sair cá para fora. Ainda não estava a perceber muito bem o que é que se estava a passar. Fui à casa de banho e depois é que vi o cabelo a arder. Desci a correr e quando cheguei cá fora caí para o chão e perdi os sentidos", recorda, em entrevista à Agência Lusa, Helena Sereno, que tinha 14 anos e cuja memória seguinte já tem a ver com o hospital.

Desde o início dos tratamentos até à alta hospitalar, que Helena Sereno pediu por já estar "muito cansada", passaram-se 12 anos. "Fiquei com um 'buraco' na minha vida, porque sinto que não tive adolescência. É aquela fase das raparigas começarem a olhar para si, querem sentir-se bonitas, olhar para os rapazes. Eu e os meus colegas, fomos muito condicionados", recorda, numa alusão às máscaras elásticas que tinham de usar. "Era terrível, com as pessoas sempre a olhar. Depois, foram as marcas que ficaram".

Auto-estima perdida

Hoje, Helena Sereno admite que "todos os dias são uma luta diária". Não gosta do que vê quando se olha no espelho e garante que é graças ao apoio dos amigos e da família que consegue ir ultrapassando os diversos obstáculos que se lhe colocam.

"Psicologicamente, sou uma pessoa que não tem auto-estima, por muito que procure ajuda em psicólogos. Sou hipersensível e penso que se não tivesse acontecido isto eu era uma pessoa diferente, mais forte e mais positiva", diz Helena Sereno. "Afectou-me mesmo muito a nível psicológico", assegura.

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