Viana do Castelo

Viana do Castelo sob o signo do caracol

Viana do Castelo sob o signo do caracol

De onde vem o leite? O movimento Slow Cities existe, entre outras coisas, para evitar que os miúdos respondam "do pacote que a mãe compra no supermercado", em vez de "da vaca", a resposta certa.

Um caracol que transporta alguns prédios na carapaça é o símbolo das slow cities, uma rede internacional que na verdade se chama Cittaslow, denunciando assim a sua origem - foi iniciado em 1999, em Itália, a partir do movimento da Slow Food.

Contrariar um estilo de vida em que as pessoas andam sempre a correr de um lado para o outro é um dos princípios deste movimento a que Viana do Castelo vai formalizar o pedido de adesão no decorrer de um congresso internacional, que se inicia hoje e decorre até sábado, no Teatro Sá de Miranda, contando com a presença de Pier Giorgio Oliveti, o presidente internacional da Cittaslow.

"Valorizar o que é local, aproximando os produtos do consumidor, é uma das preocupações do movimento, porque assim não só se reduz a pegada ecológica e se reforça a sustentabilidade da Terra como também se estimula a fileira produtiva do Alto Minho", explica Ana Paula Vale, bióloga e subdiretora da Escola Superior Agrária de Ponte do Lima, que integra o Politécnico de Viana (IPVC).

Ana Paula refere ainda a importância dos mercados da terra - onde, aos fins de semana, se transacionam os produtos locais - serem visitados pelas crianças, para que não se repita cá o que acontece nas escolas de Nova Iorque em que os alunos rabiscam no papel uma embalagem com coxas de frango quando os professores lhes pedem para desenharem uma galinha.

O IPVC, a Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC) e a Câmara Municipal são os promotores da Viana Criativa, a associação que organiza o congresso, subordinado ao tema "Cittaslow - Ambiente favorável à criatividade".

"Ao agrupar diferentes abordagens, semânticas, práticas, vivências e dinâmicas, a Viana Criativa é um espaço ótimo para a partilha de conhecimentos e a geração de um ambiente favorável à criatividade", explica Maria José Guerreiro, a vereadora responsável pela Educação e Cultura na Câmara de Viana.

Professora de Português e Francês, Maria José sublinha a coincidência entre a ideia que o Executivo camarário e o movimento Cittaslow têm para o desenvolvimento das cidades, e que consiste em juntar o melhor dos dois mundos, conciliando desenvolvimento urbano com crescimento pessoal, promovendo a coexistência pacífica no mesmo espaço e tempo de sucesso, bem-estar e qualidade de vida.

A adesão de Viana de Castelo ao movimento Cittaslow, que já conta com cinco cidades portuguesas - quatro algarvias (S. Brás de Alportel, Lagos, Tavira e Silves) e uma minhota (Vizela) - será concretizada em junho na assembleia-geral do movimento e obrigou a Autarquia a um exercício de introspeção que teve um final feliz.

Olhando-se ao espelho e respondendo aos 67 critérios rigorosos de adesão (qualidade ambiental, mobilidade sustentável, regeneração urbana, ambiente favorável à criatividade, qualidade do Centro Histórico são alguns dos requisitos avaliados), Viana obteve um resultado final de 72% - bem acima do patamar mínimo exigido de 50%.

Com a Linha do Minho encalhada e os estaleiros em agonia, por incompetência dos governos de Lisboa, que ainda por cima a asfixiam com portagens, Viana do Castelo adere ao Cittaslow para obter ganhos de visibilidade que lhe proporcionem dividendos ao inspirar os turistas nacionais e estrangeiros a seguirem a recomendação de um dos mais famosos fados de Amália - "Se o meu sangue não me engana, como engana a fantasia, havemos de ir a Viana, ó meu amor de algum dia". v

Ganhar visibilidade é a maior vantagem de ser uma Slow City?

É uma vantagem competitiva, pois é o selo de garantia de que se trata de um território que respeita as tradições e tem um compromisso com a sustentabilidade. E isso tem potencialidades turísticas. Há cada vez mais gente interessada em visitar cidades que valorizam a sua diversidade e passado. Mas não é a maior vantagem.

Qual é, então, a grande vantagem?

É a de obrigar a uma disciplina permanente para ter boas práticas ao nível do ambiente, gastronomia e preservação da paisagem e património, o que melhora a imagem de uma cidade.

Viana do Castelo é um bom exemplo?

Sem dúvida. É uma cidade de média dimensão, com cerca de 40 mil habitantes, que nas duas últimas décadas se soube desenvolver, evoluir e modernizar sem esquecer as suas memórias e preservando as tradições do seu povo. v

António Eusébio presidente Ass. Cittaslow Portugal e da

Câmara de S. Brás de Alportel

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