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Acidente de Angélico Vieira "não tem efeito educativo duradouro nos jovens"

Acidente de Angélico Vieira "não tem efeito educativo duradouro nos jovens"

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Manuel Trigoso, disse, quarta-feira, que acidentes como o que vitimou o cantor Angélico Vieira "não têm um efeito educativo duradouro" nos jovens, defendendo que a solução passa por alterações na formação.

"Não tem efeito nenhum a médio-longo prazo no comportamento dos jovens. Admito que as pessoas fiquem chocadas, emocionadas e que digam que vão comporta-se de maneira diferente mas isso é passageiro e depois volta tudo ao mesmo", adiantou à agência Lusa José Manuel Trigoso.

O cantor Angélico Vieira morreu na terça-feira após um acidente de viação, tendo na altura a GNR avançado com a hipótese que o actor não levava cinto de segurança.

No entender do presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), a solução sustentada faz-se através de um conjunto de alterações ao que tem sido feito até agora quer ao nível da educação rodoviária quer ao nível do que se faz na formação de condutores.

"Na formação de condutores tem de ser feita uma reformulação séria e profunda a começar por uma alteração radical na forma e no conteúdo de fazer exames de condução porque é isso que vai alterar a formação de condutores. É também fundamental alterar o que tem vindo a ser feito na educação rodoviária na escola, tem de se fazer pedagogia do que é circular na estrada e viver na via pública todos os dias", explicou.

Salientou ainda a necessidade de se conseguir também "alterações cirúrgicas" nomeadamente no uso sistemático dos equipamentos de segurança que "salvam vidas e custam zero e que não são usados".

José Manuel Trigoso considerou que acidentes como o de Angélico Vieira podem fazer despertar algumas consciências nomeadamente nas autoridades fiscalizadoras que acusou de "não fazerem acções sistemáticas e contínuas de fiscalização ao uso de cinto de segurança na retaguarda".

O cantor e actor Angélico Vieira, de 28 anos, morreu na terça-feira em consequência das graves lesões provocadas pelo acidente de viação que sofreu sábado na autoestrada A1, no sentido Porto-Lisboa, junto à saída para Estarreja.

Em declarações à agência Lusa no dia do acidente, fonte da GNR afirmou que o acidente foi causado pelo rebentamento do pneu esquerdo da frente do automóvel conduzido pelo antigo vocalista dos D'ZRT.

"O carro bateu no separador lateral e o condutor, Angélico, e outros dois ocupantes foram projectados, pelo que, em princípio, não teriam cinto de segurança", afirmou a fonte, acrescentando que a vítima mortal foi atingida por um outro automóvel que seguia atrás.

O único ocupante que não foi projectado era um homem que seguia ao lado do condutor e teve ferimentos ligeiros, referiu o responsável da GNR.

Atrás seguiam outro homem, que foi atropelado mortalmente, e uma mulher, que sofreu ferimentos graves e está internada na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Santo António.

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