Presidenciais 2011

Alegre sugere tratamento de favor a Cavaco no BPN

Alegre sugere tratamento de favor a Cavaco no BPN

Manuel Alegre acusou hoje, quinta-feira, o actual presidente da República de ter beneficiado de um "tratamento de favor" na venda das acções da SLN e sugeriu que Cavaco foi cúmplice de um acto de gestão danosa. Mas o negócio era, afinal, conhecido há mais de um ano. 

O assunto tem sido a principal arma de arremesso da pré-campanha eleitoral e, esta noite, teve desenvolvimentos quando o semanário "Expresso" republicou os documentos que estiveram na base da venda das acções que Cavaco Silva e a filha, Patrícia Montez, detiveram, entre 2001 e 2003, na Sociedade Lusa de Negócios (SLN). E que, na venda, em Novembro de 2003, tiveram uma valorização de 140%, numa operação que teve como principal protagonista o então presidente da SLN e do BPN, Oliveira Costa, acusado de gestão danosa.

Os documentos por que Manuel Alegre andava a clamar há vários dias, exortando Cavaco a dizer a quem tinha vendido as acções, eram, afinal conhecidos desde 30 de Maio de 2009, altura em que o "Expresso"  publicou uma notícia com o título "Cavaco ganhou 147 mil euros com SLN". E que o semanário voltou ontem a publicar no seu site e motivou a abertura do "Jornal da Noite" da SIC como novidade.

Cerca de uma hora depois, em entrevista à RTP, num registo cauteloso, Manuel Alegre considerou que o documento de ordem de venda das acções, com data de 17 de Novembro de 2003 e dirigido ao presidente da SLN - uma sociedade não cotada em bolsa - configura "uma situação de favor e será mesmo um acto de gestão danosa". "Agora compreende-se porque é que ele não quis dizer", disse, referindo-se ao facto de Cavaco não ter respondido quando desafiado.

O candidato apoiado pelo PS e BE sugeriu que Cavaco beneficiou da amizade e "proximidade política" com Oliveira Costa e foi cúmplice da sua actividade de "gestão danosa". E lembrou o "silêncio" do presidente aquando da descoberta do buraco financeiro do BPN, um banco com fortes ligações ao PSD.
"É uma valorização de 140%. Isto não é normal", disse Manuel Alegre, insistindo que Cavaco "não pode deixar de responder" e de dar explicações sobre este assunto. "Isto tem a ver com carácter, com transparência, com ética republicana", insistindo que Cavaco tem de se sujeitar ao "escrutínio público".

À chegada a um jantar-comício em Loulé, Cavaco disse não ter comentários a fazer e remeteu os jornalistas para a notícia "Expresso". No discurso no concelho onde nasceu, disse apenas recandidatar-se de "cabeça erguida e consciência bem tranquila".

O efeito na campanha

Politólogos ouvidos pelo JN admitem que a polémica "já ganhou vida para além do que seria expectável" na pré-campanha e pode continuar a ser o tema principal, "caso sejam revelados novos dados", disse Carlos Jalali, professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro, admitindo que este caso "poderá fazer mossa na candidatura de Cavaco, designadamente entre os eleitores mais indecisos".

António Costa Pinto, do Instituto de Ciências Sociais, admite que o efeito na campanha dependerá da "persistência do tema" e do aparecimento de novos dados, o que, no limite, poderá "comprometer" a eleição de Cavaco à primeira volta.

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