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Acidente ocorreu num ponto cego em termos de segurança

Acidente ocorreu num ponto cego em termos de segurança

O acidente em Santiago de Compostela terá ocorrido numa zona de transição entre dois sistemas de segurança distintos, um moderno outro mais antigo. A curva é "um ponto cego" em termos de segurança, sem que nenhum sistema funcione no local.

Citando fontes da empresa ferroviária espanhola Renfe, a edição eletrónica do jornal "La Voz de Galicia" recorda que "o mais provável" é que o descarrilamento em Santiago de Compostela tenha acontecido quando a composição circulava a 150 quilómetros por hora numa zona de curva em que o limite é de 80.

Acrescentam que se o sistema de segurança ERTMS - que controla de forma automática a velocidade em zonas com limitação - estivesse em funcionamento naquele local, como acontece em outros troços ferroviários de Espanha, mesmo que o maquinista pretendesse ultrapassar a velocidade máxima não o conseguiria fazer.

Por isso, as mesmas fontes citadas pelo jornal galego admitem que a inexistência deste sistema naquela via "ajudou" à tragédia, pois se estivesse em funcionamento não permitiria aumentar a velocidade da composição.

Segundo fontes contactadas pelo jornal "El Mundo" o problema é que "a cerca de 300 metros da curva [onde ocorreu o acidente], à saída do túnel, termina o sistema ERMTS e começa outro mais antigo, chamado ASFA (Anúncio de Sinais e Travagem Automática)"

De acordo com aquele jornal espanhol, o acidente ocorreu num ponto cego entre os dois sistemas, visto que o ASFA só começa depois da curva onde ocorreu o acidente e o ERMTS termina cerca de 300 metros antes.

Outras fontes ferroviárias asseguram "off-record", que se coloca a possibilidade de uma falha do EMRTS, que não abrandou o comboio dos 220 para o 80 quilómetros por hora, como tem de fazer antes da mudança para o ASFA, e que este entrou diretamente a 190 km/h na curva".

Por isso, como o ERMTS não foi ativado automaticamente quando o comboio passou a uma velocidade superior à recomendada, os maquinistas já pouco poderiam fazer.

Mesmo que tenham acionado os travões de emergência, seriam precisos quase dois quilómetros para parar travar o comboio.

O sindicato dos maquinistas mostrou-se indignado por o motorista estar a ser apontado como responsável pelo acidente, e denuncia a mescla de sistemas de segurança.

Na Galiza, os 87 quilómetros de alta velocidade estão equipados com o sistema de segurança ERMTS. No entanto, o acidente de Santiago de Compostela deu-se num troço misto, operado também pelo serviço convencional, o ASFA.

Segundo informação disponibilizada na página oficial da Adif - empresa pública espanhola responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária -, e consultada pela agência Lusa, o Sistema Europeu de Gestão de Tráfego (ERTMS) já está instalado em 1786 quilómetros de linha férrea em Espanha.

A linha de alta velocidade entre Madrid-Saragoça-Barcelona, com 621 quilómetros de extensão, segundo a Adif, é a de "maior longitude" em todo o mundo que funciona com o sistema ERTMS.

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