Terrorismo

Adesão ao Estado islâmico não está associada à crise

Adesão ao Estado islâmico não está associada à crise

A possibilidade de os jovens europeus poderem estar a aderir ao Estado Islâmico por razões que se prendem com a crise económica foi desmentida pela especialista francesa Dounia Bouzar.

A antropóloga, que falava esta terça-feira em Bruxelas durante um seminário organizado pelo Parlamento Europeu, frisou que os casos estudados e acompanhados em França não revelam que a adesão possa estar associada à crise.

"Nada tem a ver. Temos mesmo muitos casos de jovens que vêm das classes médias", disse Dounia Bouzar. Os jovens que se juntam a grupos terroristas "perseguem um mito", acrescentou.

Dounia é fundadora do Centro de prevenção contra as derivas sectárias ligadas ao islão (CPDSI) e colabora com o Governo francês no campo da desradicalização, tendo estudado mais de mil casos de radicalização de jovens ou de adesão a grupos extremistas.

Quanto a resultados do trabalho de desradicalização, ou seja recuperar os jovens e voltar a trazê-los à sociedade, é um "trabalho que não tem resultados imediatos. Só ao fim de dois anos se pode começar a fazer um balanço e com acompanhamento permanente".

Dounia Bouzar falou também de uma espécie de tabela de sinais que podem levar os mais próximos dos jovens a lançar sinais de alerta para as autoridades, através de um número verde criado para o efeito pelo Estado francês.

Um desses sinais é, por exemplo, o corte com a estrutura familiar, em particular com os pais, ou a "mudança do relacionamento com a mulher", no caso de ser casado.

A especialista referiu também que um dos primeiros objetivos de quem quer a radicalização do jovem é destruir-lhe a individualidade, fazendo sobrepor os interesses do grupo, a "sua absorção, a sua destruição enquanto pessoa".

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