Angola

Angola: príncipe do Congo candidato ao parlamento

Angola: príncipe do Congo candidato ao parlamento

Makuta Nkondo é um dos "príncipes" pretendentes ao trono do Reino do Congo,  mas integra a lista republicana de candidatos a deputados da UNITA, em lugar elegível, nas eleições legislativas de sexta-feira em Angola.

Descende do clã "Ne Miala" um dos mais importantes na arquitectura de poder do antigo Reino do Congo, que abrange as províncias do norte de Angola até aos Camarões, envolvendo a República Democrática do Congo, Congo-Brazzaville e o Gabão.

A sua condição de pretendente ao trono(Ntotela, na língua Kikongo), cujas cortes se situam na cidade de Mbanza-Congo, capital da actual província angolana do Zaire, não choca, garante Makuta Nkondo, com a condição de candidato a deputado pelas listas do maior partido da oposição angolana.

Jornalista de profissão e observador "na mata" de toda a luta de libertação nacional nas hostes da Frente Nacional de Libertação de Angola(FNLA),  Makuta obteve autorização, "como a tradição e os costumes impõem", dos mais velhos para assumir agora a candidatura a deputado pela UNITA.

Mas sob a condição de jamais envolver o Reino nas questões politico-partidárias. "Sem a autorização da Corte constituída por todos os guardiães do Wene Wa  Kongo(Reino ou Império em Kikongo) este passo seria insensato". 

"É algo muito complexo e quem não obedece morre", diz sem titubear Makuta Nkondo, que é candidato independente a deputado. Não na condição de "pretendente a Ntotela".

Os "mais velhos" permitiram que integrasse as listas da UNITA" sob a condição de não envolver o reino. E quando chegar o dia da escolha do Ntotela, se for eleito deputado, tem que "abandonar imediatamente o Parlamento".

Aparece nas listas da UNITA a convite do presidente, Isaías Samakuva, pessoa por quem sente "fascínio" pela sua forma de estar na vida, "pela sua calma, pela sua humildade".

Apesar de ser um "defensor dos costumes tradicionais do seu povo", Makuta Nkonda está ao lado de Samakuva porque este tem uma "visão moderna" para o partido, quer "abrir a UNITA ao mundo".

Para que o processo de escolha do Ntotela do Reino do Congo avance, Makuta Nkondo, mas essencialmente os "sábios" das 12 linhagens reais(Kanda) existentes, aguardam, desde 2003, para não "ferir" as instituições do Estado angolano, a resposta a uma carta que foi enviada ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Enquanto aguarda pela entrada na Corte do Wene Wa Kongo, Makuta Nkongo calcorreia o país ao lado do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, para tentar convencer os angolanos de que vale a pena uma "mudança na República".

E se for o escolhido pelos "mais velhos" para assumir o trono do Reino do Congo, Makuta Nkongo tem, num antigo provérbio Kikongo, o lema para o seu reinado: "O mais velho constrói, não destrói" porque, "todos são filhos e o pai trata todos por igual".

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