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Transexual detida em prisão masculina

Transexual detida em prisão masculina

Após ter sido realizada uma petição para que uma britânica transexual, que se encontra a cumprir pena numa prisão masculina, fosse transferida para instalações femininas, as autoridades assumem considerar a opção.

Tara Hudson, de 26 anos, está a cumprir a pena de 12 semanas, a que foi condenada em setembro, na prisão masculina HMP Bristol, em Inglaterra, desde a passada sexta-feira. Apesar de já ter feito seis operações e de viver há vários anos como mulher, a jovem está à espera de realizar uma última cirurgia e, por isso, continua a ser, legalmente, um homem.

Uma petição, que conta com mais de 115 mil assinaturas, apela ao reconhecimento de Hudson como mulher pela instituição prisional, considerando que "esta decisão é uma rutura dos Direitos Humanos e coloca Hudson numa situação de extremo perigo de abuso, violência sexual e, até, de morte".

No documento, que é apoiado pela família de Hudson, são apresentadas várias razões que devem ser tomadas em conta para que a transição seja feita, nomeadamente, que a jovem está a receber tratamento hormonal e para a depressão. Acresce o facto de a prisão masculina HMP Bristol ter registado níveis de violência crescentes, que estão "consideravelmente acima dos verificados em prisões semelhantes", e de inspeções reportarem que "não está a ser feito o suficiente para proteger alguns dos detidos mais vulneráveis".

Em reação, o porta-voz da instituição prisional referiu que "é uma política habitual colocar [nas instalações] os prisioneiros de acordo com género reconhecido legalmente. Porém, os nossos princípios permitem-nos discrição e, em casos como este, os profissionais médicos irão rever as circunstâncias de forma a proteger emocionalmente a pessoa em questão".

Foi ainda anunciado que o caso de Tara Hudson será analisado pelo Tribunal de Bristol esta sexta-feira, dia 30. Com o objetivo de apoiar a jovem britânica, foi criado um evento no Facebook para "ter a certeza de que tanto ela [Hudson] como as autoridades sabem que não está sozinha".

Jackie Brooklyn, mãe de Tara Hudson, considerou, em declarações ao jornal local "Bristol Post", o caso "completamente ofensivo".

"Sinto que os homens vão andar atrás dela, vai ser humilhante. Apesar de compreender que se trata de um assunto complexo, o tratamento de transexuais por parte do sistema judicial britânico requer uma maior atenção. O foco principal deveria ser a segurança e o bem-estar dos envolvidos", reitera.

Segundo o jornal "The Guardian", Hudson já estará a ser alvo de assédio por parte dos colegas. "A prisão permitiu-me falar com ela [Tara Hudson] durante cerca de dois minutos. Ela está a ser assediada. Os prisioneiros estão a gritar das celas: "Tara, Tara, Tara, mostra-nos o teu peito", contou a mãe.

Leda Avgousti, orientadora sexual e conselheira na identificação de género da Amnistia Internacional, diz que as "mulheres transexuais institucionalizadas com prisioneiros masculinos são confrontadas com um elevado risco de abuso sexual e psicológico".

"Os prisioneiros transexuais não devem, de todo, ser detidos em locais onde haja uma grande probabilidade de violência", acrescenta.

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