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Homossexualidade

Beijo lésbico de atletas russas acende polémica

Beijo lésbico de atletas russas acende polémica

As atletas russas Kseniya Ryzhova e Tatyana Firova, distinguidas com a medalha de ouro na prova de estafetas, no Mundial de Atletismo, em Moscovo, celebraram a vitória com um beijo lésbico. O ato tem sido alvo de polémica e é visto como uma afronta às leis anti-homossexuais aplicadas na Rússia.

Vencedoras da medalha de ouro da prova de 400 metros de estafetas, as atletas Kseniya Ryzhova e Ttyana Firova reacenderam a polémica em torno da política anti-homossexual russa que proíbe qualquer tipo de propaganda gay a menores de 18 anos.

Esta não é, no entanto, a primeira vez que o assunto é abordado nos Mundiais de Atletismo, que começaram no passado sábado e terminam este domingo. Na sexta-feira, a atleta russa do salto à vara Yelena Isinbayeva alegou que tinha sido mal interpretada, depois de ter demonstrado publicamente o apoio às medidas do Governo russo e criticado as atletas suecas que haviam pintado as unhas com as cores da bandeira gay como forma de apoio à comunidade homossexual.

"O inglês não é a minha primeira língua, penso que poderei ter sido mal entendida", disse a atleta que apenas queria chamar a atenção para a necessidade das pessoas "respeitarem as leis dos outros países, principalmente quando são as suas convidadas".

Em resposta às declarações da russa, Emma Green Tregaro, que levou para a Suécia a medalha de bronze, pôs no Instagram uma imagem das unhas pintadas com a mensagem: "Unhas pintadas com as cores do arco-íris". "A primeira coisa que vi quando cheguei a Moscovo foi um arco-íris, é irónico", disse, posteriormente, a atleta, cujo exemplo foi seguido por outras com publicações semelhantes.

Em resposta, Isinbayeva afirmou que as declarações da sueca eram "desrespeitosas" para a Rússia. "Talvez sejamos diferentes do europeus e outras pessoas de terras diferentes", afirmou, acrescentado que "quando chegámos a um país diferente, temos de seguir as suas leis. Homens com mulheres e mulheres com homens".

Também o corredor americano Nick Symmonds criticou a atitude da atleta russa. "Quero dizer à Yelena que gays e lésbicas são pessoas normais também", afirmou, dedicando a sua medalha de prata aos seus amigos homossexuais.

A questão leva a que surjam propostas de boicote aos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, que têm data marcada para o próximo mês de fevereiro, em Sochi, na Rússia. Responsáveis russos têm feito afirmações contraditórias quanto à política a aplicar durante a competição, já que estrangeiros podem vir a ser acusados e de violar a leia e ter como consequência a prisão durante 15 dias ou a deportação.

"Os Jogos Olímpicos deveriam ser abertos a todos, sem descriminação, e isso aplica-se aos árbitros, polícia, média e, é claro, aos atletas", afirma Claudia Bokel do Comité Olímpico Internacional, na sua conta do Twitter.

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