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Caricaturista que parodiou presidente egípcio foi preso

Caricaturista que parodiou presidente egípcio foi preso

Um conhecido caricaturista egípcio, crítico do Governo, foi detido pela polícia, este domingo, acusado de "publicar notícias sem autorização". Recentemente, parodiou o presidente egípcio.

O caricaturista Islam Gawish foi detido na sede da "Rede de Notícias do Egito", uma página de informação na Internet que, segundo o Ministério do Interior do Egito, não tem as autorizações necessárias para funcionar.

As forças de segurança egípcias registaram a sede desse órgão de comunicação e apreenderam um computador e um "router" de ligação à Internet, acrescenta o comunicado do Governo, citado pela EFE.

Gawish é um caricaturista popular na rede social Facebook, na qual publica os seus trabalhos na página de perfil "Al Waraqa" ('o papel', em português) e que tem mais de um milhão de seguidores.

Através das suas caricaturas, Gawish fazia crítica social e política, tendo recentemente parodiado os gestos e frases do Presidente egípcio, Abdelfatah al Sisi.

A outra administradora da página de Facebook, Rania Atef, disse à EFE que a polícia deteve o seu companheiro Gawish por "difamar o regime com os seus desenhos", tendo perguntado às autoridades que autorização é necessária para publicar caricaturas no Facebook.

Uma dezena de partidos políticos liberais e de esquerda emitiram hoje um comunicado no qual condenam a detenção do caricaturista e pedem a sua "libertação imediata".

Assinalaram ainda que a prisão de Gawish é "uma continuação da tendência [do Governo] para reduzir a liberdade de imprensa" no Egito.

Em meados de janeiro, um tribunal egípcio condenou a três anos de prisão quatro jornalistas por "publicarem notícias falsas e unirem-se a um grupo ilegal", refere a EFE.

Recentemente, dezenas de jovens e ativistas foram detidos por expressar opiniões críticas ao regime através das redes sociais, ao mesmo tempo que centros culturais independentes viram a sua atividade restringida.

Segundo um relatório do Comité para Proteger Jornalistas (CPJ, na sigla inglesa), publicado em meados de dezembro passado, o Egito é o segundo país do mundo com mais jornalistas na prisão (23), ficando apenas atrás da China (49).

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