Síria

Cessar-fogo na Síria com "alguns incidentes"

Cessar-fogo na Síria com "alguns incidentes"

A União Europeia apelou ao respeito pelo cessar-fogo na Síria que, segundo um diplomata do Grupo Internacional de Apoio à Síria, parece estar a ser cumprido, apesar de "alguns incidentes".

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, instou a comunidade internacional e as partes em conflito na Síria a respeitar o cessar-fogo que entrou em vigor este sábado.

"Todos, a comunidade internacional e as partes em conflito em Síria, temos a responsabilidade de fazer com que isto funcione e de não perder a oportunidade de salvar vidas e de colocar a Síria no caminho para uma solução pacífica" do conflito, sublinhou a alta representante da União Europeia (UE).

O Grupo Internacional de Apoio à Síria, um grupo especial de acompanhamento internacional ao conflito no país e copresidido pelos Estados Unidos (EUA) e pela Rússia, tinha reunião marcada para esta tarde, em Genebra, na Suíça, para avaliar como foi respeitado o cessar-fogo nas primeiras horas.

Segundo uma fonte diplomata citada pela agência noticiosa France Presse (AFP), que pediu o anonimato, "as Nações Unidas (ONU), os EUA e a Rússia fizeram uma avaliação positiva das primeiras horas" do cessar-fogo.

A ONU reportou "alguns incidentes", num aparente violar do cessar-fogo, que "foram neutralizados", acrescentou a mesma fonte. Desse modo, acrescentou, "é necessário esperar por domingo e segunda-feira para fazer uma avaliação completa".

Os representantes da equipa especial de acompanhamento estiveram reunidos apenas por duas horas e ainda não marcaram uma nova reunião, de acordo com a mesma fonte da AFP.

As cidades sírias acordaram, este sábado, sem o habitual ruído de bombardeamentos, no entanto, após o meio-dia, vários foguetes disparados por "grupos terroristas armados" caíram na praça Abbasid no centro de Damasco, sem causar vítimas, relataram os meios de comunicação nacionais oficiais.

As autoridades disseram que "terroristas" abriram fogo a partir de áreas de Yobar e Duma, dois dos principais redutos da oposição na periferia de Damasco.

Em comunicado, o Comando Geral do Exército criticou essas ações e renovou o apelo para que "todos os cidadãos se juntem na reconciliação local".

Também a Coligação Nacional Síria, principal aliança de oposição, apontou infrações à trégua por parte das forças de Bashar al-Assad, instando o Conselho de Segurança da ONU a atuar contra o regime do presidente sírio.

Em comunicado, a Coligação indicou que as forças do regime sírio e os seus aliados atiraram, de helicópteros, barris de explosivos e dispararam artilharia pesada em Damasco e na sua periferia, em Deraa (sul), Alepo (norte), Homs (centro), Hama (centro) e Latakia (noroeste).

Apesar das violações de ambas as partes, o diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, Rami Abderrahman, cuja organização documenta os abusos que ocorrem diariamente no Iraque, disse à agência Efe por telefone que a violência foi inferior.

Durante este sábado, "não houve confrontos" entre o regime e da oposição fações, disse Abderrahman, acrescentando que se registaram confrontos em áreas onde estão presentes o grupo extremista do autodenominado Estado Islâmico (EI) e a subsidiária síria da al-Qaeda, a Frente al-Nusra.

Estes dois grupos excluíram-se do cessar-fogo, que foi aceite por quase 100 grupos armados opositores do regime de Bashar al-Assad, segundo a Efe.

As próximas negociações de paz sobre a Síria devem começar em 7 de março, em Genebra, e durar cerca de três semanas, acrescentou o emissário da ONU.

Inédito em cinco anos de conflito armado, o cessar-fogo é encarado com ceticismo pela complexidade da sua aplicação no terreno, dada a fluidez de alianças entre grupos armados.

A guerra na Síria já fez mais de 270 mil mortos e mais de quatro milhões de refugiados.

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