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Condenada por matar marido violento pede perdão a Hollande

Condenada por matar marido violento pede perdão a Hollande

Ao fim de 47 anos de inferno conjugal, Jacqueline Sauvage matou o marido. Foi condenada mas gerou uma onda de solidariedade em França. Esta sexta-feira, foi recebida por Hollande, que pondera um perdão presidencial.

Em 2012, após um calvário de décadas, Jacqueline não aguentou mais a violência e os abusos sexuais sobre os seus quatro filhos. Ao longo de quase 50 anos, foi repetidamente agredida pelo marido, violentada física e psicologicamente e viu-o a abusar sexualmente dos seus quatro filhos.

Horas depois de um dos jovens se ter suicidado, a última gota de um copo já demasiado cheio, pegou numa arma e disparou três vezes sobre o marido, pondo fim a este inferno.

A justiça francesa, à luz da sua lei, decidiu, em primeira e segunda instâncias, que o ato de Jacqueline não se enquadrava numa resposta em legítima defesa. A mulher de 68 anos foi condenada a 10 anos de prisão.

O caso emocionou a sociedade francesa e trouxe a grave questão da violência doméstica, que vitimou 118 mulheres só em 2014, para o centro das atenções mediáticas em França.

Uma petição, colocada a circular por três mulheres que militam pela prevenção dos abusos domésticos, juntou cerca de 390 mil assinantes, que pedem a François Hollande que conceda um perdão presidencial a Jacqueline Sauvage.

O pedido foi oficializado pelos três filhos de Jacqueline. "A nossa mãe sofreu tudo ao longo da sua vida de casada, vítima do nosso pai, um homem violento, tirânico, perverso e incestuoso", escreveram.

O presidente francês recebeu, esta sexta-feira, a família da mulher condenada e a imprensa francesa deu amplo eco do encontro, embora não haja informação oficial vinda do Eliseu sobre uma eventual decisão.

Ao jornal "Le Monde", fonte da presidência foi prudente e lembrou que, ainda que se "compreenda a mobilização popular", um perdão deste tipo "exige um procedimento, que é preciso respeitar", e que "tem de haver circunstâncias excecionais". Os trâmites necessários vão seguir ao seu ritmo e é improvável que haja uma decisão antes da segunda quinzena de fevereiro.

"O presidente da República irá fazer um tempo de reflexão antes de tomar a sua decisão", acrescentaram.

De notar também que François Hollande não nutre grande entusiasmo pelo perdão presidencial. Durante a campanha de 2012, lembra o "Le Monde", o ainda candidato à presidência marcou as suas distâncias com a figura jurídica inscrita no artigo 17º da Constituição francesa, notando que lhe faz lembrar "uma outra conceção de poder", por estar associado à monarquia francesa.

Talvez tenha sido por isso que, uma vez eleito, Hollande só tenha concedido o perdão uma única vez. Foi em 2014, quando o presidente francês mandou libertar o mais velho preso do seu país, Philippe el Shennawy, depois de 38 anos no cárcere.

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