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Durão Barroso recusa interferência russa no acordo com a Ucrânia

Durão Barroso recusa interferência russa no acordo com a Ucrânia

O presidente da Comissão Europeia disse esta sexta-feira, em Vilnius, que a União Europeia não pode aceitar a intervenção da Rússia em negociações bilaterais entre os 28 e a Ucrânia, comentando que "os tempos da soberania limitada acabaram na Europa".

Falando na conferência de Imprensa no final da Cimeira da Parceria Oriental que teve lugar em Vilnius, e que ficou marcada pela não celebração de acordos de associação e de comércio livre com a Ucrânia que era suposto serem assinados nesta ocasião - alegadamente devido a pressões de Moscovo sobre Kiev -, José Manuel Durão Barroso disse que está fora de causa um "formato trilateral" neste processo negocial e asseverou que essa é "uma questão de princípio para a União Europeia".

"Claro que isto não é aceitável. Respeitamos a soberania de todos os países no mundo. Quando celebramos um acordo bilateral, não precisamos de um acordo trilateral. Quando fazemos acordos comerciais com o Canadá ou a Coreia do Sul, não convidamos um país terceiro para negociar a finalização desse acordo bilateral. Por isso, para um acordo bilateral entre a UE e a Ucrânia, não deve haver um formato trilateral. Os tempos de soberania limitada acabaram na Europa", declarou o presidente do executivo comunitário.

Durão Barroso ressalvou que há questões práticas para as quais a União Europeia "há muito que tem proposto conversações trilaterais com Ucrânia e Rússia, por exemplo sobre questões de energia", e designadamente de gás, "e essa oferta mantém-se", dado tratar-se dos "países de origem (Rússia), de trânsito (Ucrânia), e de destino (Estados-membros)", mas insistiu que um acordo bilateral não pode contemplar a presença à mesa das negociações de uma terceira parte, mesmo que seja um parceiro estratégico e que a UE "muito respeita".

"Mas o facto de termos uma parceria estratégica não significa que, quando estamos a negociar com outro país, possamos aceitar qualquer tipo de envolvimento de uma terceira parte num acordo bilateral. É uma questão de princípio para a UE e para os nossos Estados-membros, e isso foi deixado bem claro", reforçou.

Sublinhando o contributo que os acordos de associação celebrados no início da década de 1990 entre a UE e vários países da Europa central e de Leste tiveram no desenvolvimento económico e social destes, "muitos dos quais hoje Estados-membros de pleno direito" da União, entre os quais a "anfitriã" Lituânia, Durão Barroso sustentou ainda que este processo negocial com a Ucrânia "é para algo, não contra ninguém".

"É (um processo) pela democracia, pela estabilidade e pela prosperidade. Não é contra ninguém, porque não acho que alguém seja contra a democracia, contra a estabilidade ou contra a prosperidade", disse.

Também o presidente do Conselho, Herman van Rompuy, defendeu a ideia de que um acordo entre a UE e a Ucrânia "não é em prejuízo de ninguém", e até seria benéfico para a "vizinha" Rússia.

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