Londres

Estudante portuguesa que derrotou advogados já tem ofertas de trabalho

Estudante portuguesa que derrotou advogados já tem ofertas de trabalho

Alexandra da Silva, estudante de Direito que, há dias, conseguiu, surpreendentemente, vencer uma causa na justiça britânica, vê, agora, reconhecido o ótimo trabalho.

Já foi contactada por várias firmas de advogados inglesas, que, inclusivamente, lhe fizeram propostas de trabalho concretas. Com 21 anos, Alexandra tem ainda um ano pela frente até terminar o curso, na Universidade de Londres.

"Tenho tido um "feedback" excelente. Além disso, já fui contactada por diversas firmas de advogados e duas já me apresentaram proposta de trabalho", revela, ao "Jornal de Notícias", Alexandra.

O que seria apenas uma ajuda abriu caminhos no percurso de uma jovem que ainda não tem perspetivas definidas para o futuro como advogada, mas que admite que, "se aparecerem causas que me despertem o interesse, terei todo gosto e vontade em ajudar".

Após ter conhecido Ângela Maria Sousa Baptista, que lhe contou que estava a tentar lutar contra uma sociedade de advogados que lhe tinha congelado uma indemnização que recebeu por ter sido atropelada, em 2006, alegando que ela era "mentalmente incapaz", Alexandra prontamente se disponibilizou para ajudar. Tornou-se representante de Ângela na qualidade de "litigation friend" (amigo de litígio) e apresentou um requerimento no tribunal para que averiguassem o caso em novembro do ano passado.

Depois de apresentar provas em como a lesada no processo estava mentalmente sã e depois da análise de uma médica independente, ordenada pelo tribunal, ter também decido pela sanidade, a sentença foi pronunciada e Ângela e Alexandra conseguiram ganhar o processo.


Ao "Jornal de Notícias", Alexandra admite que "lutar contra uma sociedade de advogados não foi um processo fácil", mas que, ainda assim, ou talvez por isso, foi "muito desafiante".

Alega, ainda, que, durante todo o processo, a firma de advogados apresentou argumentos que tentavam descredibilizar Ângela, afirmando constantemente que a decisão de reterem os bens foi sempre no sentido de a proteger.

Melhor do que em Portugal

Alexandra considera que, em casos deste tipo, a Justiça anglo-saxónica está mais avançada do que a portuguesa, por permitir que qualquer pessoa defender outrem num processo jurídico. Diz, também, que, em Portugal, sem um advogado devidamente creditado, não é possível ter defesa.

Ainda sobre o caso, Alexandra adianta, ao "Jornal de Notícias", que está a ser feita uma investigação à sociedade de advogados para perceber se o dinheiro cobrado a Ângela o foi corretamente. Isto porque falta apurar a legalidade dos alegados serviços prestados à mulher. Só assim, será possível fixar o valor final a ser restituído a Ângela. O prazo limite é 3 de outubro.

A estudante garante, ainda que a "dona Ângela" está satisfeita com o resultado e que neste momento se encontra na Madeira à procura de uma casa de férias, porque "ela não tenciona sair daqui [Londres]. Adora estar em Inglaterra e tem aqui todas as amigas e toda a sua vida".

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