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Maior participação do "voto jovem" pode marcar diferença em Espanha

Maior participação do "voto jovem" pode marcar diferença em Espanha

Os partidos espanhóis apontaram as baterias dos últimos dias de campanha para as municipais e autonómicas para tentar captar o voto dos indecisos, mas poderá ser o "voto jovem" a marcar a diferença na votação de domingo.

Apesar de a imprensa espanhola não divulgar sondagens em dia de reflexão, o "El País" escreve que as últimas análises às intenções de voto "sublinham a 'hipermobilização' do voto jovem, que pode fazer aumentar a participação em cinco pontos percentuais face às municipais e autonómicas de 2011".

Por outro lado, também indicam uma "tripla fratura" do voto, a primeira das quais geracional.

"O votante [eleitor que pensa ir votar] jovem, urbano, ativo no mercado de trabalho e influente diz que vai votar Podemos ou Ciudadanos; o votante com mais idade, rural, conservador, com atividades não remuneradas e influência decrescente afirma que votará PP e PSOE", indicou José Juan Toharia, presidente da empresa de sondagens Metroscopia, em declarações ao "El País".

A fratura por idades já se tinha feito sentido nas eleições andaluzas de março, o primeiro grande instrumento utilizado pelas empresas de sondagens em Espanha para calibrarem as suas análises num ano com múltiplas idas às urnas.

A Andaluzia (vitória do PSOE sem maioria absoluta, derrota significativa do PP e entrada forte dos emergentes Podemos e Ciudadanos) também deu o tiro de partida para uma "hipermobilização" do voto jovem, especialmente depois dos resultados dos emergentes.

O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, referiu no comício de encerramento de campanha, na sexta-feira, que o Podemos "devolveu o entusiasmo pela política às pessoas". Segundo os analistas fê-lo especialmente junto dos jovens, camada da população mais desmobilizada politicamente, bem como dos tradicionalmente abstencionistas. O Ciudadanos, com uma mensagem de "mudança" menos radical, conseguiu - na mesma linha - captar parte dessa mobilização.

As mesmas análises da Metroscopia indicam que os votantes jovens "adotaram o Podemos e o Ciudadanos como partidos próprios da sua geração, nascida e criada maioritariamente em democracia".

Em declarações à Lusa, o professor e analista político José Maria Areilza, considera o crescimento do Podemos e do Ciudadanos deve-se a "uma mistura de dois tipos de descontentes": "Os que têm algo a perder, os moderados, votam Ciudadanos. Os descontentes que não têm nada a perder, optam pelo Podemos".

Mas há outra questão: a volatilidade dos votantes atualmente em Espanha. Entre os que respondem às sondagens, 10 e 12% das pessoas referem que podem trocar de partido em quem votar no último momento. E esta tendência é maior nas pessoas que ideologicamente se posicionam mais à esquerda ou à direita do que o partido no qual pretendem votar.

"Quanto maior é esta dissonância, maior é a probabilidade de mudança à última da hora, porque assinala um grau de incomodidade maior quanto ao partido em que se vai votar", sublinhou José Juan Toharia, da Metroscopia.

Quase 35 milhões de eleitores em Espanha, entre os quais 20 mil portugueses, vão às urnas no domingo para votar nas eleições municipais em toda a Espanha.

Por outro lado, 13 das 17 regiões autonómicas (exceção para a Andaluzia, Galiza, País Basco e Catalunha) escolhem também no domingo novos governos regionais.

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