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Milhares nas ruas para exigir demissão de Dilma

Milhares nas ruas para exigir demissão de Dilma

Milhares de pessoas, vestidas com roupas de cor verde e amarela da bandeira brasileira, estão, este domingo, a manifestar-se em várias cidades do Brasil, exigindo a saída do poder da presidente Dilma Rousseff e o fim da corrupção.

Os protestos estão a decorrer, nalguns casos desde as 8.00 horas locais, em municípios como o Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia, Paraná, Maranhão, Pernambuco, Goiás, Tocantins, Pará ou São Paulo, além de Brasília. Até o momento, não há registo de confrontos.

Pelas ruas da capital brasileira, desfilaram vários camiões com muitas pessoas a gritarem e dançarem, manifestando-se contra o PT e exigindo a destituição da Presidente do país.

Segundo a Polícia Militar, 100 mil pessoas participaram no protesto na capital.

Além de cartazes e palavras de ordem contra Dilma Rousseff e Lula da Silva, multiplicaram-se várias formas de apoio à Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação do Lava Jato.

A iniciativa da manifestação é do Movimento VemPraRua.Net, do Movimento Brasil Livre (MBL) e dos Revoltados Online e decorre em dezenas de locais no Brasil e no estrangeiro, naquele que os organizadores esperam tornar-se "um dia histórico no país".

"Isto é importante para que as outras partes do Governo se consciencializarem de que a população está a exigir uma resposta mais concreta ao Governo, seja a saída dela [Dilma Rouseff] ou não", afirmou Fabiano Ribeiro.

Este manifestante condenou o "Governo corrupto" que controla o Brasil e lamentou que a crise política esteja a "influenciar a crise económica".

Para Maria Eremita, outra popular em protesto, "a população tem de dizer basta e tirá-los do poder, porque eles estão a acabar com o Brasil".

"O povo brasileiro é trabalhador e decente. Só precisa que se pare de roubar, se saiba administrar, administrar para o povo, não para o próprio interesse", frisou.

Nos 80 anos de vida, Evangelista Medeiros disse que nunca viu o país nesta situação, lamentando os efeitos da crise política na economia, nomeadamente, no aumento da dívida externa.

O octogenário entende que o país está "na mão de bandidos, de corruptos", e o nível a que a situação chegou "é muito ruim, mundialmente" e "uma vergonha".

Celino Cunha, por seu turno, admitiu que votou no PT, mas que hoje está desiludido, desejando "honestidade" na classe política.

Num tom emotivo, Deuza Ivonete, outra manifestante, pede à Lusa para falar, porque quer dizer que é preciso "salvar o Brasil" e, para tal, o ex-Presidente Lula da Silva "tem de ir preso".

"Cadeia para o Lula, cadeia para o PT. Ajudou só os amigos, os parentes que hoje são bilionários, e ele, que era uma pessoa bem pobre e que passava fome no nordeste, hoje está riquíssimo", criticou.

Para a manifestante, Dilma Rousseff "não faz nada sem ele [Lula da Silva]", e o PT tornou-se num partido "cheio de hipocrisia", porque verdadeiramente não ajudou a população e o Brasil nunca esteve tão mal, desde a educação à saúde.

"É revoltante, porque nós acreditámos no PT, porque o PT na época era o coitadinho, era o pobrezinho, então nos lutámos. Queríamos uma vida melhor e não adiantou nada, porque ele aproveitou-se e roubou muito mais do que os outros", sublinhou.

Otávio Vale corroborou que "a saúde do país está acabada, porque o PT não quer saber de dar saúde à população", acrescentando: "O PT na realidade destruiu, dividiu este país. O PT quer que o país viva de guerras, para ele subir e manter sempre o poder".

"A nossa justiça vai fazer com o que país volte a ser honesto, volte a crescer e a respeitar o cidadão", concluiu.

A dimensão do protesto de hoje é considerada decisiva para o Governo, dado que a avaliação definirá se o processo de "impeachment" (destituição da Presidente) será retomado ou não no Congresso Nacional.

A Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014 pela Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção, branqueamento de capitais e desvio de dinheiro, já envolveu diretamente Lula da Silva.

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