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Paira o fantasma de novas eleições em Espanha

Paira o fantasma de novas eleições em Espanha

Mais de um mês depois das eleições gerais mais disputadas em Espanha, o país já tem um novo Parlamento - o mais fragmentado de sempre -, mas continua sem Governo. E as expectativas de acordos que permitam a eleição do novo chefe do Executivo são escassas. A hipótese de novas eleições adensa-se.

Uma das possibilidades com mais força, a da chamada "coligação à portuguesa", que uniria partidos de Esquerda com os socialistas à frente, "será muito difícil", aponta Berta Barbet, politóloga ouvida pelo JN. Por um lado, três partidos não bastariam para garantir uma maioria parlamentar como em Portugal: seriam necessários pelo menos cinco, o que à partida dificulta os consensos.

Se tudo dependesse apenas do PSOE e do Podemos, "apesar do que os separa", o mais certo seria que acabassem por se entender, "porque a sua base de votantes não perdoaria que não fizessem um pacto para retirar o Partido Popular do Palácio da Moncloa", sustenta Barbet.

Divergência interna no Podemos

Contudo, dentro do próprio grupo parlamentar do Podemos (que elegeu 69 deputados), "será complicado garantir a disciplina de voto", uma vez que o partido aglutina algumas plataformas regionais como a catalã e a galega, que poderiam divergir em temas relacionados com questões nacionais.

Mas mais complexo ainda seria gerir o possível apoio dos partidos abertamente nacionalistas, como a Esquerda Republicana da Catalunha ou o Partido Nacionalista Basco, que dificilmente viabilizariam um governo que não inclua como prioridade a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha. "Estar nas mãos destes grupos poderá ser problemático", sublinha a editora do site Politikon, recordando que o PSOE se mantém contra o chamado "direito a decidir" sobre a autodeterminação.

Grande coligação improvável

Quanto à outra alternativa, a da grande coligação (neste caso ao estilo alemão), que aglutinaria os dois partidos maioritários, é ainda mais improvável. Embora seja a favorita da União Europeia, "deixaria os socialistas numa posição muito débil", adianta a politóloga catalã. "Depois de passar décadas a criticar o PP, os eleitores não entenderiam que agora o PSOE desse o seu apoio aos conservadores".

A hipótese de repetição de eleições é, por isso, um dos desfechos mais prováveis para solucionar o imbróglio, podendo acontecer entre os próximos meses de Abril ou Maio. O cenário poderia ser visto, no entanto, como um fracasso dos partidos, que mostram não conseguir negociar. "Ninguém quer dar a imagem de que a falta de consensos é responsabilidade sua", refere Barbet, recordando, no entanto, que "se podem repetir eleições, mas um espaço de tempo tão curto não garante grandes mudanças".

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