Ruanda

Papa pede perdão a Deus por papel da igreja no genocídio

Papa pede perdão a Deus por papel da igreja no genocídio

Quase 23 anos depois, a Igreja Católica, reconhece "humildemente" que "os pecados e as faltas da igreja e dos seus membros" no genocídio do Ruanda, em 1994, "desfiguraram a face da igreja".

Aproveitando a primeira visita ao Vaticano do chefe de Estado ruandês, Paul Kagamé, o papa Francisco pediu "perdão a Deus" pelos "padres, homens e mulheres religiosos que sucumbiram ao ódio e à violência, traindo a sua própria missão evangélica".

Referia-se à quantidade substancial de padres e religiosos que entregaram milhares de tutsis à morte, denunciando-os ao regime que hutu que empreendera aniquilá-los, como o padre Wenceslas Munyeshyaka, que entregou listas de gente a abater, ou participando mesmo no genocídio, como o pároco Athanase Seromba, que mandou arrasar a igreja onde "escondera" duas mil pessoas.

A mensagem de Francisco surge meses depois de os bispos ruandeses terem pedido desculpa pelos erros da igreja, mas em nome dos membros envolvidos nos massacres que fizeram cerca de 800 mil mortos em cem dias. A igreja, sublinhou então o líder da comissão episcopal ruandesa, "não participou no genocídio"O argumento não caiu bem aos ouvidos do Governo de Paul Kagamé, que sugeriu um pedido de perdão formal do Vaticano.

O líder ruandês recebeu-o esta segunda-feira do papa, com o desejo de que o "reconhecimento humilde" dos erros possa contribuir para "uma purificação da memória" e "promover, na esperança e na confiança renovada, um futuro de paz".

O Ruanda tenta desde 1994 reerguer-se como nação unificada. A medalha representando "um deserto tornado jardim" que Kagamé viu o papa oferecer-lhe quis precisamente ilustrar a teimosia dos ruandeses em reconstruir-se como nação sem apagar o passado.

Recomendadas

Outros conteúdos GM

Conteúdo Patrocinado