Relatório

Polícia de Chicago faz uso excessivo da força

Polícia de Chicago faz uso excessivo da força

Os abusos policiais são recorrentes em Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos com um grande índice de criminalidade, segundo um relatório divulgado sexta-feira pelo Departamento de Justiça.

O relatório foi apresentado pela secretária da Justiça, Loretta Lynch, uma jurista afro-americana, que tem favorecido inquéritos sensíveis visando as forças de ordem dos Estados Unidos.

"O Departamento de Justiça concluiu que há razões para pensar que a polícia de Chicago faz repetidamente uso excessivo da força, violando a Constituição", afirmou.

Segundo Loretta Lynch, a investigação concluiu que aquelas más práticas são explicadas em grande parte por deficiências graves na formação e de responsabilidade.

A cidade de Chicago registou mais de 760 homicídios em 2016.

A força excessiva utilizada pela polícia é, por vezes, letal, disse Vanita Gupta, diretora de Direitos Civis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. "Por exemplo, atirar sobre alguém que não apresenta perigo imediato ou neutralizar com uma pistola elétrica (Taser) alguém que se recusa a cumprir um comando verbal", explicou.

A investigação federal ao Departamento de Polícia de Chicago teve início em dezembro de 2015, após o assassínio de um adolescente afro-americano por um polícia branco em 2014. O jovem, de 17 anos, foi baleado 16 vezes quando andava no meio de uma rua.

As autoridades de Chicago esperaram mais de um ano para tornar público o vídeo, que mostra a execução, que provocou uma onde de choque e levou à demissão do chefe da polícia.

O autarca da cidade de Chicago, Rahm Emanuel, próximo do presidente Barack Obama, foi acusado de tentar encobrir o escândalo.

O relatório divulgado sexta-feira denuncia um "código de silêncio" em vigor entre a polícia de Chicago, que é também acusada de ter "comportamentos discriminatórios por motivos raciais, que minou a legitimidade da polícia e contribuiu para o uso de força excessiva".

Depois de ter tido durante muito tempo má reputação por causa dos seus "gangsters", Chicago vê agora validado oficialmente acusações de brutalidade e racismo contra alguns dos seus mais de 12 mil polícias.

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