Tunísia

Presidente da Tunísia pede desculpas de Estado a jovem violada

Presidente da Tunísia pede desculpas de Estado a jovem violada

O presidente tunisino, Moncef Marzuki, apresentou, esta quinta-feira, desculpas de Estado à mulher violada por dois polícias, que está à espera de saber se vai ser acusada de indecência.

Em declaração divulgada pelo gabinete da presidência afirma-se que "o presidente tunisino recebeu a jovem violada pelos polícias (...) e depois de ouvir os detalhes deste caso doloroso (...) exprimiu a sua total simpatia [para com a jovem] e ofereceu-lhe uma desculpa de Estado".

Marzuki também condenou "fortemente" a violação e elogiou os agentes policiais que recusaram encobrir os seus colegas, o que o levou a considerar que o problema "não é a instituição de segurança em si, mas a mentalidade de alguns dos seus membros".

Na declaração presidencial garante-se ainda que "acabou-se a tolerância, tanto para os violadores, como para (...) quem quer ocultar a verdade".

Acrescenta-se ainda que a presidência "vai seguir este caso de perto, para garantir que nenhum interesse partidário vai interferir com a justiça, de forma que os tunisinos tenham os seus direitos restaurados".

A vítima da violação, de 27 anos, enfrenta possíveis acusações de indecência, juntamente com o seu namorado, baseadas no testemunho dos alegados violadores, polícias que dizem que surpreenderam o casal numa "posição imoral", antes de a violação ter ocorrido.

O magistrado Mohamed Ben Meftah vai decidir se a mulher e o namorado devem ser acusados, depois de os ter questionado durante mais de duas horas.

O caso provocou uma forte polémica na Tunísia, com personalidades da oposição, organizações não governamentais e comunicação social a dizerem que o processo transformou a vítima em acusada e está a refletir a política do Governo liderado pelos islamitas para com a mulher.

O primeiro-ministro, Hamadi Jebali, do partido islamita Ennahda, afirmou no início desta semana que os polícias, detidos pouco tempo depois do incidente e que esperam julgamento, deveriam ser "julgados severamente".

Mas também admitiu que existisse um caso de indecência para julgar.

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