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Sobrevivente de incêndio em Londres agradece apoio do Governo português

Sobrevivente de incêndio em Londres agradece apoio do Governo português

Um dos sobreviventes do incêndio na Torre Grenfell, em Londres, agradeceu a visita do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas a Londres, este domingo.

"É reconfortante entender que o Estado se preocupa e fez o sacrifício de se deslocar num fim de semana. Agradecemos o gesto de carinho. É bastante reconfortante", disse João Dias, num encontro, este domingo, no Centro de Apoio à Comunidade Lusófona.

José Luís Carneiro visitou a capital britânica na sequência do incêndio numa torre de habitação no noroeste de Londres, no qual pelo menos 30 pessoas morreram e outras 28 estão dadas como desaparecidas.

As autoridades portugueses conseguiram identificar dez portugueses que residiam no prédio em três apartamentos diferentes: uma família de quatro e dois jovens no 13º. andar e outra família de quatro pessoas no 21º. andar.

Todos conseguiram sair a tempo, mas a mulher e duas filhas da família do 21º. andar continuam hospitalizadas e sob observação devido à inalação de fumo.

Juntamente com o embaixador de Portugal, Manuel Lobo Antunes, e a cônsul-geral em Londres, Joana Gaspar, o secretário de Estado visitou a família e recebeu as "boas notícias de que a situação vai melhorar".

Além da família que continua hospitalizada, encontrou-se também com a família Alves, que está alojada provisoriamente em casa de amigos, e com João Dias, um português que vivia noutro apartamento com um compatriota amigo.

José Luís Carneiro disse à agência Lusa que fez esta deslocação para poder contactar com os portugueses afetados e poder dar uma "palavra solidária" do Governo e do Presidente da República.

"Vim assim que tive tempo na minha agenda pessoal para demonstrar o apoio e solidariedade e também o agradecimento às instituições que ajudaram", afirmou.

No centro comunitário estavam hoje 30 sacos de roupa recolhida por várias associações portuguesas, além de outros produtos de primeira necessidade.

O governante comentou como a cônsul-geral ainda possui mais sacos em sua casa, que recolheu pessoalmente, saudando o que o qualificou de "solidariedade automática" reminiscente das pequenas comunidades rurais quando vive alturas de aflição.

Partilhou também a ansiedade com que em Portugal foi seguido o incidente.

"O país todo vive estas tragédias como se fosse com os seus próprios familiares. As vossas dificuldades são vividas como as dificuldades dos portugueses que vivem em Portugal", garantiu.

Com o apoio do Estado, todas as vítimas puderam ter os seus cartões do cidadão substituídos sem terem de pagar emolumentos consulares e terão apoio para emitir outros documentos perdidos no incêndio.

O Centro de Apoio à Comunidade Lusófona foi envolvido por coordenar, em conjunto com o Consulado Geral de Londres e a Missão Católica Portuguesa, o plano de contingência para situações de emergência que afetam cidadãos lusófonos.

O diretor, Lino Miguel, confessou hoje: "Correu melhor do que esperávamos. Estamos aqui para celebrar uma vitória comunitária".

O incêndio deflagrou perto da 01:00 de quarta-feira nos pisos inferiores da torre Grenfell, em Londres, alastrando rapidamente através do revestimento exterior, que foi aplicado recentemente nas obras de renovação do edifício.

Pelo menos 30 pessoas morreram e outras 28 estão dadas como desaparecidas e presumivelmente mortas, o que perfaz o balanço provisório de 58 possíveis vítimas mortais fornecido pela polícia londrina.

"Este número de 58 pode aumentar. Espero que não seja o caso, mas poderá aumentar", disse Stuart Cundy, o comandante da polícia metropolitana de Londres, referindo a possibilidade de se encontrarem outras pessoas no prédio na altura.

A operação de busca dos corpos deverá levar várias semanas devido ao estado do edifício devastado pelo incêndio, cujas causas continuam por apurar.

Estima-se que viviam no edifício de habitação social de 24 andares e 120 apartamentos entre 400 e 600 pessoas.

O elevado número de vítimas chocou a opinião pública e causou a cólera dos familiares e amigos das vítimas, bem como de membros das suas comunidades.

Vários protestos tiveram lugar junto ao edifício da autarquia local de Kensington & Chelsea e da residência oficial da primeira-ministra britânica, Theresa May, que anunciou um pacote de cinco milhões de libras (5,7 milhões de euros).

O desastre suscitou também uma onda de solidariedade a favor das vítimas que inclui donativos de bens como roupas e em dinheiro para vários fundos mais de três milhões de libras (3,4 milhões de euros).

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