Áustria

Sobrevivente do Holocausto apela ao voto contra a Extrema-Direita

Sobrevivente do Holocausto apela ao voto contra a Extrema-Direita

Gerturde, austríaca sobrevivente do Holocausto, gravou um vídeo quando viu a Extrema-Direita associar refugiados a uma guerra civil. Já foi partilhado três milhões de vezes no Facebook.

Uma austríaca de 89 anos que sobreviveu ao Holocausto transformou-se em oradora de sucesso no âmbito das eleições presidenciais do próximo domingo, que podem colocar a Extrema-Direita no poder. O vídeo em que fala dos candidatos às presidenciais da Áustria foi já partilhado três milhões de vezes no Facebook. Nele critica o Partido da Liberdade (FPÖ) - cujo candidato é Norbert Hofer, que já afirmou que o "Islão não tem lugar na Áustria".

A mulher identificada apenas como Gertrude defende que o FPÖ "revela o pior das pessoas" e lembra que "não é a primeira vez que algo assim acontece". Já o candidato ecologista Alexander Van der Bellen parece-lhe mais "calmo".

A Áustria organiza no dia 4 de dezembro as segundas eleições presidenciais deste ano. As primeiras, a 22 de maio, foram ganhas por uma unha negra por Van der Bellen. Mas irregularidades na contagem dos votos por correspondência ordenaram uma repetição.

Quando tinha 16 anos, Gertrude foi deportada com a família para Auschwitz. Viu os pais e irmãos serem assassinados. Foi a única sobrevivente. No vídeo, lembra como os judeus eram tratados: fala do ódio e do desrespeito. "As pessoas riam-se quando os judeus eram obrigados a ajoelharem-se para limpar a rua".

Setenta anos mais tarde, acredita que o FPÖ está a "trazer isso de volta". "Tenho medo", admite Gerturde.
A sobrevivente conta que foi impulsionada a gravar o vídeo - partilhado por Van der Bellen no Facebook - depois de o líder do FPÖ, Heinz Christian Strache, ter dito que a chegada de refugiados ao país poderia provocar uma guerra civil. "Eu já vivi uma guerra civil quando tinha sete anos". Lembra-se dela até hoje e entende que isso "nem sequer deveria ser" argumento. Gerturde diz que esta pode ser a última vez que votará e apela os jovens a irem às urnas e a pensarem no que voto deles pode representar para o futuro.

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